sexta-feira, 16 de julho de 2010

E o "Prêmio Eguinha Pocotó" vai para...

Saudações, leitores do Cult. Hoje, resolvi falar sobre o contra-cult, algo que vai de total oposto ao objetivo deste blog. Dizem que existem coisas que de tão ruins que são, viram boas. É tão ruim, mas tão ruim, que ultrapassa a linha do mau-gosto e se transforma em kitsch. O problema, neste caso, é a tenuidade desta linha, que pode fazer o kitsch voltar a ser mau-gosto em uma fração de segundos.

Esta bagatela de conceitos filosóficos sobre beleza e bom-gosto se enquadram perfeitamente na música. E a música brasileira está cheio de kitschs. E mais cheia ainda do mais profundo mau-gosto, resultado de composições com o claro objetivo comercial, sem preocupações com conteúdo. E o pior de tudo: você vai ouvi-las uma, duas vezes, e ela não sairá mais de sua cabeça.

Aqui, o Prêmio Eguinha Pocotó das piores letras vem com alguns de seus representantes máximos:

1. Eguinha Pocotó
A primeira, claro, tinha de ser a própria. Agora sem trema, por conta da nova ortografia. A letra é uma ode. Remete à relação do "eu-lírico" com seu equino. Transpira sentimento, lirismo, ao cantar: "Vou mandar um beijinho / pra filhinha e pra vovó / só não posso esquecer / da minha eguinha pocotó / Pocotó, pocotó, pocotó, pocotó / Minha eguinha pocotó". Além de tudo, é uma exaltação à família. Tem coisa melhor?

2. Vai, Lacraia


Quase um pout-pourri da primeira, é uma exaltação à figura feminina (?!) do dançarino híbrido que, junto com o Mc Qualquer Coisa entoava a canção. A letra é de tal profusão que seu único verso lembrável é o "Vai lacraia, vai lacraia!".

3. Morango do Nordeste

O sucesso mastodôntico de Lailton dos Teclados, na voz de Frank Aguiar, é a maior representação da arte dadaísta que, segundo a definição de Tristan Tzara, seria uma montagem de palavras tiradas aleatoriamente de um saco. A letra do "Morango" é isto. Não existe encadeamento entre os versos, tampouco um sentido total. Começa como referência a uma suposta nave espacial ("Estava tão distante quando ela apareceu...") e prossegue como uma música romântica de bar da esquina ("Meus amigos falam que eu sonho demais / Mas é somente ela que me satisfaz"). E termina com uma referência à violência entre países ("Com essa mulher eu vou até pra guerra!"). Ou seja, a vastidão de conteúdo toma conta.

4. Segura o Tchan

Sucessão dos anos 90, com a então banda Gera Samba (posterior É o Tchan, com o sucesso blockbuster do jingle), marcou com sua letra de duplo (e, às vezes, até triplo) sentido. Olha o tom da coisa: "Tudo que é perfeito a gente pega pelo braço / Joga lá no meio, mete em cima, mete em baixo / E depois de nove meses você vê o resultado". Toda trabalhada na sensualização.

5. Lá vem o Negão
O grupo Cravo e Canela gravava esta composição que também exaltava o lirismo em torno da sensibilidade masculina frente às mulheres. Veja como a letra é uma representação clara da vassalagem amorosa: "Lá vem o negão / Cheio de paixão / Te catar, te catar, te catar". Sensibilidade - e principalmente timidez - do Negão a toda prova.

6. Eu sou Stefhany

Essa é uma representante piauiense em nosso seletíssimo grupo. Famosa por sua versão abrasileirada de um enlatado americano, Stefhany ficou famosa com seu vídeo na Internet, chegando a participar de programas como o Caldeirão do Huck e do Superpop (gente, pára tudo!). O tom da música é de "ode a mim mesmo". Veja só: "Eu sou linda / Absoluta / Eu sou Stefhany... / No meu Cross Fox / Eu vou sair / Vou dançar / Me divertir" E vai embora. Vruuuum....

7. Dança do Créu
Herdeira em estilo da Eguinha Pocotó, o Créu foi a sensação de 2008. MC Créu e suas mulheres-fruta fizeram escola com sua letra profundamente sexualizada. Uma pergunta... alguém, na prática, já chegou à velocidade 5?

8. Chupa que é de uva
Tosqueira toma conta quando a ideia é fazer a coisa com conotação sexual. Dessa vez, o buraco foi, literalmente, mais embaixo. O conteúdo do sucesso entoava: "Na sua boca eu viro fruta / Chupa que é de uva / Chupa, chupa, chupa que é de uva". Enfim, a pureza e castidade letrificadas. Não suficiente, fizeram uma segunda versão, alterando a posição. Agora o tom era de "Senta que é de menta". E eu pra aguentar...

9. Rebolation
Essa é saída do forno. Ou não. Quer dizer, sei lá. Esse mundo de letras sem nexo é muito volúvel. Enfim... o Parangolé ganhou o Brasil com seu Rebolation. A letra tem, no máximo, dez palavras, dentre as quais a repetida 1.942.725 vezes bem contadas é "Rebolation-tion... rebolation-tion..." E a galera lá, dançando.

10. Dança da Bundinha


Não podia faltar, né? É uma música sinestésica. Quem se lembra da letra quando a imagem que se vem na cabeça é do dourado bumbum de Carla Peres no close das câmeras de Gugu, Faustão e cia., nos idos de 99, 2000? Mas tinha letra, ou algo que arremedasse. Era algo como "Bota a mão no joelho / Dá uma abaixadinha / Mexe, mexe, gosto / Com a mão na bundinha".

Discussões à parte sobre o que é essência e o que é aparência, acho que estas músicas conseguiram atingir o difícil patamar de unanimidade. Eram ruins, ponto. Acredito que seus próprios compositores e intérpretes saibam disso. Se alguém perguntar para eles o que acham disso, diriam: "Mas vendeu, não vendeu". Vendeu. E que sentido tinha aquilo tudo. "E eu sei?", diria o autor. É duro notar que a mesma MPB de Dalva de Oliveira, Emilinha Borba, Chico Buarque, Lenine e cia. criou tais aberrações...

Enfim, está montado nosso top 10. Faltou algo? Comente e poste. Estamos abertos aos comentários. E viva à (falta de) qualidade da música brasileira!

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Hair - "a década que nunca acabou" e seus filhos

Saudações, leitores! Venho pedir desculpas (isto está se tornando uma constante...) pelo atraso das postagens. Realmente, meu dia-a-dia não tem sido nada tranquilo, e tenho estado atarefado nesse fim de semestre. Mas tais questões não vêem ao caso. Ou vêem, neste caso. Consta que ontem, um filme que vi na universidade influenciou o post de hoje. Trata-se de Hair, o clássico dos anos 70, que eu ainda não tinha assistido, apesar de todas as indicações. E depois de vê-lo, confesso que ainda não parei de refletir sobre seu conteúdo.
O filme, baseado no musical Hairspray da Brodway, narra o contato de Claude (John Savage), um interiorano, vindo de Oklahoma para Nova York, com um grupo de hippies, liderados por Berger (Treat Williams), que o adotam na cidade. Os valores trazidos por Claude, que vinha alistar-se no exército americano, que iria para a Guerra do Vietnã, chocam-se com o ideal da liberdade pregado por Berger e seus amigos. A relação, porém, ao contrário do que poderia se imaginar, gera uma grande amizade, no mesmo turno em que Claude conhece e se apaixona por Sheila (Bervely D'Angelo), uma rica e mimada jovem da sociedade nova-iorquina.

A trilha sonora do filme, marcada por clássicos como "Age of Aquarius" e "Let the Sunshine In" marcou uma época. Não só por retratar jovens em suas situações peculiares na década de 60, mas por trazer consigo a reflexão da quebra de paradigmas. A contracultura hippie contrastava com a hipocrisia da sociedade americana da época, que acompanhava o dia-a-dia tenso da Guerra Fria. A sinceridade nos atos e palavras ficava por conta daqueles negavam-se a participar de tudo aquilo, e a viver sua vida alternativa. Uma amizade que leva Berger e seus amigos a procurarem Claude no campo de treinamento, e a trocar de lugar com ele no mesmo, chegando a ir para a guerra em seu lugar.

Desde sempre, sou um jovem que imagina ter nascido na época errada. Tenho saudade do tempo que não vivi. Me identifiquei com Claude, o cara certinho que vê diante de si uma nova forma de viver. O romantismo hippie guardava consigo muito mais que inconsequência juvenil. Era um sincero grito de protesto contra a realidade de sua época. Os cabelos black-power e as roupas coloridas tinham um significado maior do que meramente contrastar com suas famílias ou exaltar sua rebeldia. Tinham um significado dignificante. Eram uma arma letal contra os fundamentos de um mundo dividido. Levantavam uma bandeira ora branca, ora multicolorida, entre os panos oficiais, americanos e soviéticos.

Diziam "faça amor, não faça guerra". E com isso, diziam muito, muito mais.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Será que vai dar tititi?



Flashes, holofotes, glamour. Modelos, maquiagens, roupas das melhores grifes do mundo. É a São Paulo Fashion Week, evento que atrai todos os olhos do mundo da moda para o Brasil, no mês de junho. Em meio ao burburinho fashion que agitou São Paulo, era possível ver uma figura no mínimo inusitada: a modelo Leandra Borges, personagem vivida por Ingrid Guimarães para quadros de humor do Fantástico, que entrevistava pessoas ligadas a este universo, como o maquiador Fernando Torquato e a atriz e ex-modelo Ana Furtado, indagando sobre o que causa os "tititis" do mundo da moda. O motivo: a campanha de lançamento da nova novela das 7 da Rede Globo, Ti Ti Ti, releitura do sucesso de Cassiano Gabus Mendes em 1985.

Hábil com temas relacionados a corte-e-costura, Cassiano já havia escrito Plumas e Paetês, cinco anos antes. Dessa vez, em 2010, Maria Adelaide Amaral, famosa por suas minisséries épicas, retorna às telenovelas com uma adaptação das duas obras de Cassiano, sob o título de Ti Ti Ti. Segundo a autora, será um mix entre as duas tramas. De Ti Ti Ti, o entrecho cômico, em especial a oposição entre os costureiros (vividos originalmente por Reginaldo Faria e Luiz Gustavo). De Plumas, a trama romântica, em torno da qual a história girará em torno.

Na novela, um acidente de carro une a vida de Marcela (Ísis Valverde) com a família de Bruna (Giulia Gamm), uma mulher rica. No acidente, morre Osmar, filho de Bruna, e sua noiva grávida. Marcela é, então, confundida com a noiva, e levada para a casa de Bruna, onde começa a desfrutar das regalias da família rica. Grávida, e querendo fugir do passado em Minas Gerais, ela encontra, ali o lugar perfeito para um disfarce. Mas tudo balança quando ela se apaixona por Edgar (Caio Castro), outro filho de Bruna, e dono de uma produtora de modelos, lançando-a no volátil mundo da moda.

Este mundo também é mexido com o aparecimento de dois novos nomes. Tratam-se de André Spina (Alexandre Borges) e Ariclenes Almeida (Murilo Benício), inimigos desde criança, e que sempre disputaram tudo. Vivendo de trambiques, Ariclenes resolve entrar para o universo fashion lançando-se como um personagem irresistível: o costureiro espanhol Victor Valentim, que abre um ateliê na Lapa. Enquanto isso, André também havia criado um "tipo" glamouroso para ganhar espaço: o afetado francês Jacques LeClair, tornando-se um mito com seu espaço no Tatuapé. Trocando farpas, os dois passam a disputar clientes.

Diferente da primeira versão, os estilistas não serão, necessariamente, estereótipos gays. "Victor Valentim será mais macho que nunca e Jacques Leclair será menos afeminado", afirmou a autora do remake. "Pois o fato de serem dois heterossexuais num meio onde a maioria é de homossexuais exercerá grande fascínio nas personagens femininas da história". O mundo da alta costura também será substituído pelas passarelas, uma vez que o universo da moda mudou ao longo dos anos. "Imagino que a moda de Jacques Leclair, que guarda no início da história muitos traços dos anos 1980, será um tipo de mistura de Karl Lagerfeld, Oscar de la Renta e um toque de Donna Karan. A moda de Victor Valentim terá uma exuberância próxima ao estilo de Christian Lacroix", ressaltou Adelaide, que também explicou que estes detalhes serão todos, na verdade, definidos pela figurinista Marília Carneiro.

A nova trama, dirigida por Jorge Fernando, tem a árdua missão de recuperar a audiência do horário, perdida com Tempos Modernos. Contará com um elenco estelar formado, também, por Cláudia Raia, Malu Mader, Christiane Torloni, Nicette Bruno, Humberto Carrão, Juliana Paiva, Tato Gabus Mendes e Guilherme Winter. Fora estes, como homenagem ao autor das tramas originais, Ti Ti Ti trará a participação especial de personagens marcantes de Cassiano, de outras novelas, vividos por seus intérpretes originais. Reveremos o Mário Fofoca (Luis Gustavo, em Elas por Elas), Rafaela Alvaray (Marília Pêra, em Brega & Chique) e Kiki Blanche (Eva Todor em Locomotivas).

O merchandsing também lançará produtos com a marca da novela. A exemplo da primeira versão, onde o batom Boka Loka, de Victor Valentim, virou sucesso entre a mulherada, desta vez, Globo e uma grande marca de cosméticos (provavelmente Avon) lançarão o Batom Tititi no mercado.

O retorno da trama animou o público, mas vem causado desconfiança por sua mistura e as modificações feitas para o remake. Ao que se sabe, não é intenção de Adelaide criar uma versão fiel à trama de Cassiano, e sim uma novela nova, atualizada e dinâmica. Os pontos de comparação serão inevitáveis (inclusive seu tema de abertura será "Tititi", originalmente cantada pelo Metrô, e agora numa regravação feita por sua compositora, Rita Lee). Resta saber se a novela dará continuidade aos baixos índices do horário e causará rejeição, ou se será um sucesso, assim como suas versões originais, e fará jus ao novo slogan de que "vai ser o maior tititi".

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Cinco coisas que fazem sua fama de cult

Saudações! Desta vez, minha função aqui é exercer um trabalho social digno de meu amigo Eddy Fernandes, do Tá Fun (Não conhece? Tá perdendo tempo! Acesse já ao http://ta-fun.blogspot.com). Como o SuperCult é a casa da variedade de conhecimento, eis aqui elementos que fazem você exibir, perante a sociedade, uma figura de inteligente, cult. Quase nerd, mas com classe. Se você deseja esbanjar seu vasto conhecimento horizontal, matando de inveja amigos e (des)conhecidos, mas ainda não terminou o Ensino Fundamental, eis as dicas:

1. Ler Friedrich Nietzche


Se escrever seu nome é um atento aos dedos no teclado, ler sua obra é uma tarefa não menos dispendiosa. Para os leigos: Nietzche é um influente filósofo alemão do século XIX, cujo conjunto de ideias pautou-se na crítica à sociedade ocidental de sua época e à religião, juntamente com todo seu embasamento dogmático e moral. O mundo judaico-cristão viu com ele alguém que não tinha medo de criticar suas ideias, chegando inclusive a decretar "a morte de Deus" (Aos religiosos de plantão, calma. Deus não morreu, mas se algum atentado fosse registrado, pode apostar: Nietzsche era o suspeito número zero). O niilismo, corrente filosófica surgida com ele, pauta-se em obras como A Gaia Ciência e Assim Falou Zaratrusta. Dissertar sobre ele numa roda intelectual atrai olhares de admiração e inveja. Colocar uma de suas frases no Orkut pode: 1) levar as pessoas a pensarem que você está querendo aparecer ou é louco; 2) levar as pessoas a pensaram que você anda estudando demais, dedicando seu precioso tempo à filosofia cética e, por isso, começa a querer aparecer ou está ficando louco.

2. Assistir "O Último Tango em Paris"


Filmes cult sempre deixam você bem na fita. Portanto, assistir ao clássico de Bernardo Bertolucci, de 1972, sobre um homem de meia-idade que busca prazer com uma jovem francesa é uma excelente pedida. Fora isto, a famosíssima "cena da manteiga" entre os protagonistas Marlon Brando e Maria Schnneider vale a pena muito do filme.

3. Ter na estante livros com fotografias de anônimos


Não, não estou falando de nenhum tipo de pornografia. Mas estão em voga a produção de livros de fotografia que retratam o cotidiano de pessoas, fazendo as mais diversas coisas (indo à padaria, correndo na praia, saindo da favela, etc.). Melhor ainda se for de um país de Terceiro Mundo (um africano com baixo IDH), demonstrando seu interesse pelos "sem voz" do mundo inteiro.

4. Preocupar-se com o meio ambiente

A política ambiental tornou-se a menina dos olhos do século XXI. Por isso, demonstrar e efetivar sua preocupação com o meio ambiente leva você a ser tido em alta conta perante a comunidade cult. Dar um de James Cameron, participar de eventos, comunidades virtuais, abaixo-assinados e similares, relacionados com a proteção de uma área ambiental em risco (a Amazônia e a Mata Atlântica, acredite, são as melhores pedidas) estão definitivamente em alta.

5. Ouvir Vanessa da Mata, Osvaldo Montenegro, Maria Gadu, Ana Cañas e Arnaldo Antunes


Ou qualquer outro cantor da MPB com voz suave. Um som ambiente é o que pode haver de mais cult. Nada de barulheira em casa, muito menos uma banda de forró que compara a mulher a uma vaca, ou um funk que repete a mesma palavra 39 vezes. Na nova safra da MPB, "Boa Sorte/Good Luck", de Vanessinha da Mata, é uma beleza para ter no playlist, bem como "Pra Você Guardei o Amor", da parceria de Ana Cañas e Nando Reis. Dos mais clássicos, João Gilberto, Tom Jobim e Chico Buarque jamais sairão de moda.

Gostou das dicas? Antes que pensem que o tom de ironia desmerece qualquer uma delas, deixe-me explicar. Este tom é apenas para dar mais leveza e diversão ao leitor do texto. Particularmente, concordo com tudo, ou quase tudo com o que está disposto acima. Menos colocar Nietzsche no Orkut, que, de fato, está ficando batido...

Em breve, você saberá o que lhe afasta do Cult. Aguarde!

domingo, 13 de junho de 2010

Todos os olhos voltados para a África




Tudo bem, sei que no mundo inteiro não sou a pessoa mais indicada para falar de futebol. Mas venho aqui tratar da Copa do Mundo por ser, neste momento, um grande evento digno de nota para o público cult (e ai de qualquer piadinha ligando futebol ao Sócrates, que eu bato!). Como evento mundial, como ponto de convergência de notícias, como veículo de difusão de valores esportivos, e como ponto de ancoragem para discursos políticos, o Campeonato Mundial de Futebol merece minutos de nossa atenção.

Acima de Robinho, Kaká, Messi e cia., a Copa do Mundo é um evento responsável por reunir nações diversas, com interesses, culturas, línguas, formas políticas as mais divergentes. Dentro de campo, as divergências históricas, as diferenças de língua, o abismo geográfico ou social na realidade de cada um dos países fica para trás. Estão todos em pé de igualdade. E em ambiente de harmonia esportiva, de competição a mais saudável e justa.

No Brasil, o clima de Copa do Mundo toma conta das conversas muitos meses antes do evento. São a preparação, as eliminatórias, a convocação do técnico. É o ritmo dos jogadores, seu condicionamento físico, seu grau, sua capacidade. Os craques estarão faiscando, ou "bichados" por alguma contusão? Nada é maior do que o clima de tensão pré-jogo, e lá se vão quilos de unhas roídas...

Enquanto as atenções do país se voltam para a Copa, prepara-se no Brasil um outro grande evento: as eleições estaduais e nacionais. O que se espera da nação é o mesmo patriotismo e garra demonstrado na Copa para escolher nossos representantes. Podemos fazer, agora, um gol de placa, ou amargar quatro anos esperando no chuveiro...