terça-feira, 7 de setembro de 2010

Momento Merchan - I Seminário de Administração de Piracuruca


Em 2008, inicia-se em Piracuruca a primeira turma de Administração de Empresas, trazida através da UAPI, Universidade Aberta do Piauí, que, juntamente com Sistema de Informação, e as licenciaturas em Física e Química, foram os primeiros cursos via EaD a funcionarem na cidade. O curso vem a corroborar com o aprendizado de quem pretende participar ativamente da economia do país, seja como empreendedores, seja na administração pública.

Partindo da necessidade de ampliar as discussões a respeito dos problemas e necessidades existentes na cidade e no Estado, no tocante às questões de gestão, e buscando viabilizar a troca de conhecimentos e experiências dos acadêmicos de Administração com professores e empresários, a turma do pólo Território dos Cocais realiza o I Seminário de Administração de Piracuruca, onde serão debatidos temas de grande relevância local e regional.

O evento será realizado nos dias 17 e 18 de setembro de 2010. Todos os interessados, sejam bem-vindos ao evento. Para inscrições, entrar em contato com os alunos do curso.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Sobre eleições, campanhas e a pirotecnia das propagandas políticas


Tava aqui lendo Roberto Pompeu de Toledo na última edição da Veja (Tudo bem, é de direita, mas vou fazer o quê? É um dos últimos redutos de vida inteligente...), e constatando a quantas andam a campanha eleitoral de 2010. Não, antes que me perguntem, não ando muito animado com os resultados que apontam os rumos do Brasil daqui em diante. Diferente do Tiririca (Florentina, Florentina, lembra?), candidato a deputado federal por São Paulo, não compartilho da opinião de que "pior não fica". Ah, fica sim. Bem, algumas considerações minhas sobre o que se processa na atual campanha eleitoral:

- Pirotécnicas propagandas eleitorais - Propostas? Quem precisa disso quando se tem nas mãos dinheiro e tempo na propaganda suficiente para se fazer um show hollywoodiano de imagens em high definition? São imagens rápidas, que vão do Oiapoque ao Chuí, discursos belíssimos sobre crescimento, a grandiosidade de obras por todo o país, as estatais funcionando a pleno vapor. Muito bem! Se eu fosse um dinamarquês, ao ver essa propaganda, acreditaria que o Brasil está bem próximo de ser não só a maior economia, como também o maior IDH do mundo! Palmas pros marqueteiros! Aliás, tem muitos aí que eu, pobre aspirante a roteirista, adoraria como diretor de fotografia de uma novela minha...

- Candidatos exóticos - Onde quer que esteja, o saudoso Dr. Enéas Carneiro deve estar de alma lavada. Ele, que sempre foi chamado de esquisito (para dizer o mínimo), chegou a responder à altura um jornalista que o chamou de exótico, afirmando que "exótica é a senhora sua mãe". Hoje, Enéas seria considerado o que há de mais normal e sóbrio dentre aqueles que aspiram um lugar ao sol. Ou melhor, um lugar no legislativo. E mesmo no executivo. Eu nem vou citar os exemplos mais sórdidos, porque a urticária já está subindo pelos dedos...

- Musiquinhas infames - Ah, as boas e velhas musiquinhas. Alguns jingles não são dos mais novos (Ey-Ey-Eymael... inesquecível), outros são recauchutagem de músicas de nossa MPB (ou quem quer que considere o tecnobrega e o forró eletrônico como "popular brasileira"), mas alguns foram encomendados especial e exclusivamente para os atuais queridões da República. O mais tenso é ver aquela turma desdentada, as banhas saltando pela camiseta curtinha, ali, cantando junto.

- Promessas de campanha - Tá sem emprego? A gente arranja! Tá sem dente? A gente arranja também! E por aí vai. O céu é o limite para o que os candidatos prometem. A sua conta de luz, que você pediu pra ele pagar, então, é fichinha diante do que muitos estão prometendo por aí.

- Recauchutagem no visual - É incrível como essa turma de políticos, que a gente tá mais velho assim de ver todo dia, fica mais bonito, bem vestido e sorridente nesse período. Nem parece aquela criatura suada, amarrotada e mal-humorada do dia-a-dia. Ali tá todo mundo de dentão branco, olhar de pai que revê o filho depois de anos, a camisa mais bem passada, o blaser escolhido para a ocasião, etc. Enfim, um desfile de beleza, dentro do possível. Porque né? Tem coisas que são impossíveis de mudar...

Bom, depois dessa listagem, de tom cômico, vamos falar sério? Tempo de eleição é tempo de pensar. Não só naquilo que vai fazer bem pra você, mas naquilo que é o melhor para a sua população. Não só naquele candidato que lhe favoreceu, dessa ou daquela forma, mas no que ele fez para favorecer a maioria. Melhores hospitais? Melhores escolas? Melhores estradas? Nisso, nisso, nisso. Eleição é tempo de analisar propostas, biografias e posturas administrativas. É tempo de pegar o currículo dessa galera que pede nosso voto todo dia na TV e vê-lo sem paixões. Ficha limpa, experiência e obras concretas que sirvam de provas daquilo que seu candidato fez são as melhores opções. Discursos extremistas e radicalismo ideológico também não fazem bem nesse período, afinal, no mundo real, o melhor caminho é sempre o do meio.

Pense nisso. E vote consciente!

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Músicas da minha vida - Versão Internacional

Pegando carona num dos últimos posts do Walter de Azevedo no Histórias de Tatu, também vou fazer aqui meu playlist, as músicas internacionais que marcaram minha vida (curta, mas com boa trilha sonora). Parte delas, momentos românticos e amores platônicos (ou não), outros, músicas que marcaram momentos importantes, não-românticos. Bem, aí vai a lista e os respectivos comentários:

She Will Be Loved (Marron 5)



A primeira música do Maroon 5 que eu escutei me marcou, antes de tudo, pelo clipe. A história da mulher maltratada pelo marido, e objeto de desejo do mocinho/vocalista me sensibilizaram. A melodia perfeita caía como uma luva no ponto alto, onde falava "I don't mind spending every day / Out on your corner in the pouring rain... And she will be loved". Aí acabava tudo. rs

Making Love Out Of Nothing At All (Air Supply)



Essa eu escutei no CD estilo "Good Times" de uma amiga minha, e lá estava a representação melódica de minha paixão aos 14 anos (naquele momento em que as paixões são avassaladoras), por uma menina do colégio. Acho que o CD ralou de tanto eu escutar vezes seguidas. Óbvio que não sou da época áurea do Air Supply, mas um amigo do meu pai costumava dizer que nos bailinhos dos anos 80 se xavecava, namorava e terminava com a menina, de rostinho colado, só durante essa música.

Can You Feel the Love Tonight (Elton John)



Essa é memória sentimental da infância. O tema de O Rei Leão, cantado por Elton John, ecoava por dias a fio no som da minha casa. Tinha num CD com clássicos do Oscar que meu pai havia comprado. Não me esqueço da versão em português, e do clipe romântico entre Simba e Nala durante o filme. Há coisas que, realmente, são eternas.

Save You (Simple Plan)



A música que dava gás à luta contra o câncer pegava de jeito o aspirante a politicamente correto aqui. Gosto de grupos que adotam essas causas, e o Simple Plan marcou um gol, não só com a bela letra quanto com o ótimo clipe e seu merchan social bem feito. Utilizei-a como fundo de um clipe que fiz sobre a África para a universidade, e que ficou bem bacana.

Goodnight, goodnight (Maroon 5)



Mais uma do Maroon 5, sem dúvida um dos meus grupos favoritos. E a música também contava com um clipe bem interessante, a tela dividida entre uma situação que começava e a outra que iniciava-se exatamente com o seu fim. O término das duas coincide com o entendimento do início, meio, fim e recomeço de uma história de amor. Enfim, romantismo em alta!

Gostaram da seleção? Assim como o amigo Walter, peço aos que comentem que tragam também algumas das músicas de sua vida aos comentários. Abraços a todos!



sábado, 7 de agosto de 2010

Tim Burton - Onde a esquisitice ganha sentido


Recentemente, visitei a locadora de DVD (Sim, eu vou à locadora. Como rapaz politicamente correto, não saio por aí comprando DVD pirata, bando de corruptos), com o intuito de alugar o mais novo blockbustter Alice no País das Maravilhas. Não apenas para relembrar o clássico da Disney, e a história apaixonantemente surreal de Lewis Carrol, mas para constatar que ninguém dirigiria melhor uma película com tais características quanto Tim Burton.

Tido por muitos como estranho, sombrio e sociopata, Burton é caracterizado, como todos sabem, por suas temáticas soturnas. Seus filmes possuem um tom noir, mas não o daqueles grandes suspenses do passado (não, não é Hitchcock, tampouco Polanski). O horror de Burton é aliado a um tom cômico, que lhe dá leveza, quase uma inocência infantil. Os olhares de seus personagens variam entre o piedoso e o psicótico, fazendo o público enxergar ali suas próprias neuras.

A marca registrada do diretor fica clara em alguns filmes típicos. Seja em roteiros originais, seja em adaptações (sempre o chamam quando querem exatamente este tom para uma obra já existente), Burton consegue imprimir ao personagem retratado - ideal ou real - um ar de quem dialoga, na dúvidas de sua existência efêmera, com os problemas do interlocutor.


A obra de Burton é recheada de casos assim. Seu personagem mais famoso é Edward, o estranho e infeliz produto de uma invenção com pedaços humanos. Sendo um arquétipo de Frankstein, Edward tem como característica mais marcante - fora suas costuras no rosto e no corpo - as mãos de tesoura, o "aleijão" que o afasta dos demais humanos. É ele, também, uma metalinguagem de Pinóquio, o boneco que queria ser menino de verdade. Edward, o mãos-de-tesoura, queria apenas uma vida normal, amigos, namorada, família, vida. Mas as dificuldades de convivência o tornam um anti-social amargurado, irrustido como seu criador (o diretor Burton, não o inventor maluco).

Na continuação de sua obra temos as adaptações. Os grandes personagens que ganharam vida e características novas nas mãos indecifráveis do cineasta. Antes de Alice, o cavaleiro das trevas Batman também foi uma de suas cobaias. Em Batman, de 1989, e Batman Returns, de 1992, porém, não era o Homem-Morcego o alvo das discussões existenciais do diretor. Eram, estes sim, os vilões da obra. O Coringa, vivido por Jack Nicholson, traz em seus problemas mentais a essência do palhaço infeliz criado pelo diretor. O Pinguim, encarnado por Danny DeVito três anos depois, é uma recriação do mito da não-aceitação pela diferença e estranheza.


Posteriormente, Burton viria a ser, também, o responsável pelo remake de A Fantástica Fábrica de Chocolates, baseado no livro homônimo de Roald Dahl. Nesta versão, o grande protagonista não é Charlie, o garoto pobre que ganha um cartão para visitar a fábrica das maravilhas, e sim Willie Wonka, seu estranho e anti-social proprietário. As perturbações de Wonka, também assolado pela não-aceitação perante a sociedade, se figuraram na interpretação de Johnny Depp, recorrente no "sentimental casting" do diretor. A história infantil ganha contornos psicológicos densos ao analisarmos o homem que construiu um império mágico para suprir o vazio de família e amigos.

Contar histórias não é apenas escrevê-las. Diretores, como sabemos, têm profunda participação em seus contornos, com a escolha da fotografia, do elenco, das cores, da trilha sonora. Burton, sem dúvida, é um dos mais prolíficos e marcantes de Hollywood. Cabe a nós, cinéfilos analíticos, buscarmos em sua obra os elementos de sua personalidade controversa, de seu "eu" investido de caráter relacional manchado. Cabe encontrar ali sua busca por aceitação, família e amigos.

sábado, 31 de julho de 2010

Torquato Neto - O piauiense que inventou a Tropicália


"É tão estranho... os bons morrem jovens..." Nada define melhor certas verdades do que este trecho de Love in the Afternoon, de Renato Russo. As grandes cabeças, pessoas que criaram ideias, e fizeram-nas acontecer, para revolucionar o mundo, em geral, não têm tempo de ver sua obra concluída. Nada define melhor Torquato Neto.

Pouquíssimo conhecido no circuito nacional, Torquato Pereira de Araújo Neto nasceu no Piauí, em 9 de novembro de 1944. Filho de um promotor público e de uma professora primária da capital piauiense, mudou-se muito jovem para Salvador (BA), onde estudou no Colégio Nossa Senhora da Vitória, com Gilberto Gil. Neste período, o então jovem de 16 anos, era sujeito em um contexto histórico repressivo: a ditadura militar no Brasil. Com uma alma contestadora, Torquato e vários outros jovens com quem convivia começaram a participar ativamente do cenário artístico bahiense.

Em 1962, junto com amigos que viriam a se tornar os grandes nomes da música popular brasileira à época - Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Costa e Maria Bethânia - muda-se para o Rio de Janeiro, onde sua atividade cultural torna-se mais intensa, tendo como primordial atuação cultural na Cidade Maravilhosa as publicações nos jornais Correio da Manhã, Jornal dos Sports e Última Hora. Mas foi uma coluna assinada no Jornal do Brasil que fez seu nome e sua arte ganharem espaço de destaque e influenciarem diversos outros pensadores da época. Tal coluna, intitulada Geleia Geral, era um manifesto juvenil por um novo tipo de arte, uma quebra com os ideais pregados pelo governo vigente, a busca por uma literatura, música, teatro e cinema contestadores, iconoclastas e marginais.

A arte de Torquato viria a ser a precursora do que ficou conhecido no Brasil como poesia e cinema marginal. Eram poemas com estilo livre, cuja única regra eram ter regra alguma, geralmente publicados com a tecnologia de um mimeógrafo. Os filmes, por sua vez, eram aquilo que ficou conhecido, futuramente, como cinema trash, feito com câmera caseira e atores amadores, publicado em fitas sem tratamento editorial, onde a busca maior era pelo conteúdo, não pela estética.

Torquato é autor de uma gama imensa de poemas e músicas que eternizaram-se no cenário nacional. O próprio lançamento da Tropicália, a música Geleia Geral, é de sua autoria, onde canta:

O poeta desfolha a bandeira
E a manhã tropical se inicia
Resplandente cadente fagueira
No calor girassol com alegria
Na geleia geral brasileira
Que o Jornal do Brasil anuncia
Ê bumba iê iê boi
Ano que vem, mês que foi
Ê bumba iê iê iê
É a mesma dança meu boi

Característica essencial em sua obra era uma implícita crítica ao regima vigente. Outros versos da mesma canção trazem, sob um olhar conotativo, tais referências:

(é a mesma dança na sala
no canecão na TV
e quem não dança não fala
assiste a tudo e se cala
não vê no meio da sala
as relíquias do Brasil:
doce mulata malvada
um elepê do Sinatra
maracujá mês de abril
santo barroco baiano
superpoder do paisano
formiplac e céu de anil
três destaques da Portela
carne seca na janela
alguém que chora por mim
um carnaval de verdade
hospitaleira amizade
brutalidade no jardim)

Sua alma contraditória fez de Torquato um poeta que vivenciava o conflito da existência. Queria conhecer quem era, e por que aqui estava. Seu poema Let's play that (uma intertextualidade com uma famosa obra de Chico Buarque) também o define:

Quando eu nasci
um anjo louco muito louco
veio ler a minha mão
não era um anjo barroco
era um anjo muito louco, torto
com asas de avião
eis que esse anjo me disse
apertando a minha mão
com um sorriso entre dentes
vai bicho desafinar
o coro dos contentes
vai bicho desafinar
o coro dos contentes
let's play that

O decreto do AI-5, em 1968, levou ao exílio alguns dos maiores amigos e parceiros de composições de Torquato, como Gilberto Gil e Caetano Veloso. Por um breve período, ele também, e sua esposa, Ana Maria, viveram em Londres, retornando ao Brasil no início dos anos 70. Não resistindo às pressões e inconstâncias de sua própria vida, Torquato se suicidou em 1972, no dia de seu 28º aniversário, deixando uma obra incompleta e centenas de resquícios incômodos de injustiças editoriais feitas a seu nome. Explico melhor: uma vastíssima obra da Tropicália, em especial música, foram registradas como direitos autorais de certos compositores, possuem possuam estilo e proximidade absoluta com a obra de Torquato Neto sem, portanto, estarem devidamente caracterizada como obra SUA.

Muitos definem Torquato, como poeta e como homem de seu tempo. O historiador piauiense Edwar de Alencar Castelo Branco, autor da obra Todos os dias de paupéria: Torquato Neto e a invenção da Tropicália, assim afirma sobre ele, em um de seus artigos: "Nos poemas iniciais, o poeta aparece como um sujeito dilacerado em meio aos curto-circuitos que compõem uma realidade estilhaçada [...] e procurará se compor sujeito a partir da resistência a uma realidade que lhe dobra" (CASTELO BRANCO, E. A. Toda palavra guarda uma cilada: Torquato Neto entre a vertigem e a viagem. IN: Revista de História e Estudos Culturais, 4(4), Abril/Maio/Junho, 2007, p. 10).

A influência de sua obra é observável sobre vários autores, no Brasil e mesmo no Piauí, sua terra natal, como mostra a também historiadora Claudete Dias, ao afirmar que: "No Piauí, não foi diferente, toda uma geração cuja poesia ainda se faz ouvir nos quatro cantos do Piauí, como Ana Miranda, Kenard Kruel, Cineas Santos, William Soares, Ramsés Ramos, Chico Castro e Alcenor Candeiras Filho, tido como pioneiro na publicação de livros no sistema mimeógrafo, para citar alguns dentre outros" (DIAS, C. M. M. O Piauí que o Brasil não Vê: História, Arte e Cultura. IN: VÁRIOS AUTORES. Apontamentos para a História Cultural do Piauí. Teresina: FUNDAPI, 2003. p. 224-225).

O apaixonante personagem e seu contexto tornaram-se tema de meu pré-projeto de mestrado. Mas não só por isso venho aqui falar de Torquato Neto. Venho, principalmente, para ressaltar a figura de um personagem nacional, criador de um dos maiores movimentos culturais existentes em nosso país, e cuja memória ficou relegada, dentro dele, à de mero coadjuvante. A história de Torquato precisa ser revista. Sua obra precisa ser reanalisada. Sua alma estilhaçada precisa ser objeto de estudos, em busca de fazer jus à sua genialidade.