Pois bem. Chega a hora de refletir. O SuperCult já é um blog com mais de um ano, então a gente pensa que é chegado o momento de discutir a relação. Não, nosso casamento não está em crise, muito pelo contrário. Nos damos bem, nos compreendemos (ou melhor, ele me compreende, porque eu mesmo nunca o perguntei o que ele achava de receber essa descarga de informações minhas em postagens períodicas), ele gosta dos meus amigos, e eu lhe apresentei amigos novos (um abraço ao Melão, ao Ta Fun, ao Roteirizando, ao EnTHulho e a outros amigos do meu blog). Talvez a DR não seja exatamente a máxima desse momento, mas sim as boas lembranças do passado, e as boas esperanças do futuro.
Como disse na primeiríssima postagem aqui, o SuperCult seria uma espaço de divagações do autor. Um blog de arte em geral, como bem definiu o Prof. Edwar, que não tem medo de falar de qualquer assunto que ocorrer a quem o dirige, de ceder à inspiração a mais bizarra, de parar para pensar, apenas. Um blog que se propõe, e tem cumprido, a função de ir da cozinha ao divã do analista.
Naquele dia, em janeiro de 2010, não imaginava que ele ganharia a repercussão que ganhou. Muito menos que chegaria a pouco mais de um ano beirando os 8000 acessos (eu, que achava que seria o único a frequentar o blog!), e nada poderia me deixar mais satisfeito do que ver que aqui, um lugar para falar de coisas que interessam a um público seleto, é tão bem frequentado, seja no sentido quantitativo quanto, principalmente, no qualitativo.
Ao longo desse ano, falamos de cinema, em várias formas: listamos os grandes vilões de Hollywood, selecionamos os 10 mais do autor, diferenciamos a cinematografia erótica e pornográfica, discutimos cinema marginal e pornochancada. Fomos do trash aos clássicos [AlineDurelfeelings]. Além disso, divagamos sobre música e literatura: relembramos personagens do pop-rock nacional, degustamos as crônicas de Luis Fernando Veríssimo, relembramos as alegorias e o realismo fantástico em obras de Saramago e Érico Veríssimo (isso sem contar nosso "Prêmio Eguinha Pocotó", que dispensa comentários). Além de tudo isso, nos voltamos para aquele que uniu em torno de si a poesia, o cinema e a música, conseguindo transformá-los em uma coisa só: falamos de Torquato Neto, em sua "louca vida, vida breve", que nos legou tanto e nos negligenciou muito mais.
Fizemos, em especial, muita crítica de televisão. Tentamos fugir do paradigma do crítico, aquele que fala e não assiste. Sim, o SuperCult acompanha com prazer novelas, minisséries e reality-shows. Analisa a audiência, a repercussão, quer ter parte no processo. Buscou, ao longo desse ano, demonstrar despretenciosamente suas opiniões, e, principalmente, compartilhar da opinião de outros tantos e tão caros. Nisso, tivemos a honra de entrevistar um dos arautos da dramaturgia virtual, o jovem e talentoso Eduardo Secco, e o grão-mestre dos Queridões de plantão, Vitor Santos.
Hoje, o SuperCult atravessa uma nova fase de sua vida, o que coincide com um novo momento da vida de seu autor. Continua o mesmo, só que diferente, entenderam (Não? Bom... deixa pra lá). Aonde, afinal, está a diferença? E quem disse que eu sei? Só o tempo dirá. Aliás, acordar diferente é aquilo que nós - eu, vocês, o SuperCult - temos feito todos esses dias, em mais de um ano. Essa é a nossa função. Somos subjetivos, muitas vezes inseguros, distantes e ao mesmo tempo pressionados pelo mundo prático. Somos angustiados, angustiantes, quase esquizofrênicos. Somos alegres de tanta timidez. Somos aqueles que não páram pra refletir - refletem 24 horas por dia.
Falo nós, porque vocês (é, você mesmo) são meus cúmplices. Afinal, se não fossem vocês, eu nem sei se o blog ainda existiria, porque, apesar de ter sido essa a ideia original, eu não tenho vocação pra falar pruma parede. Se estou aqui, é porque sei que sou ouvido, lido, que compartilho meu sentimento com alguém. E espero que continuemos juntos, vivendo as agruras e delícias através de tantos bytes.
Aqui, um abraço a todos: ao Vitor e ao Duh, meus entrevistados, que me honraram com palavras tão marcantes; ao Eddy, Evana, TH, Paulinho, Monique, Ivy, Walter, Vanessa, Helder, Jorge, Ivan, queridões de carteirinha que, através desses contatos virtuais, me ajudaram a construir minha sensibilidade televisiva. Ao xará Fábio Costa, ao Nilson Xavier, à Renata Dias Gomes que, grandes entendedores de dramaturgia que são, me deixam beber dessa fonte de conhecimento. Ao Hênio e ao Daniel, grandes amigos do litoral, que fazem da cultura sua arma de guerra. À Simone, grande amiga da terrinha, que vem esbanjar sua sutileza nas "Entrelinhas" do SuperCult (rs). Ao meu pai que, apesar de frequentar pouco, foi e continua sendo o grande incentivador de todas as minhas empreitadas. Aos colegas e professores da gradução e do Mestrado, que vêem aqui constatar que minhas loucuras também se expressam na escrita.
A todos vocês, obrigado.
quarta-feira, 16 de março de 2011
quarta-feira, 9 de março de 2011
Nos tempos em que o cão era menino...

O Carnaval acabou! Começa meu esquindô, esquindô, proferindo graças ao (fim do) evento. Lindo, lindo, esse dia que amanhece com o único e exclusivo som do canto dos passarinhos. Ok, eu sei que isso terá um fim breve pra mim. Em alguns dia, cidade nova, cidade grande, e o burburinho dos carros tomará conta. Mas ainda dá pra aproveitar. Além do mais, minhas desculpas se fui antipáticos com posts recentes, principalmente no Facebook, sobre o assunto. Mas a "falta de sacanagem" desse pessoal que sai pulando de abadá (não, Evinha, pelo menos aqui tinha mesmo CARNAVAL 2011) suplanta a beleza desse evento de origem italiana, que se manifesta lindamente em cidades como Recife, Olinda, Rio e São Paulo (aliás, um abraço ao pessoal da Vai-Vai pelo título merecido).
Mas enfim. As bizarrices que a gente vê por aí nessa época me lembram as zil histórias contadas sobre a minha cidade. Histórias, como diz meu velho e sábio pai, "do tempo que o cão era menino". Ou seja, da época dele. Ou um pouco antes, mas ele fala com aquela propriedade, inventada ou não. Enfim: os fatos bizarros que se procedem no cotidiano real ou imaginário piracuruquense merecem destaques.
Uma das histórias que meu pai conta, em geral para deixar minha tia de 93 anos p*** da vida são de quando ela morava na Conceição, uma antiquíssima propriedade da minha família, onde ele costuma dizer que as coisas eram tão antigas, mas tão antigas, que a galera, nos idos de mil novecentes e nunca, jamais tinha visto um carro. E o primeiro que apareceu foi "morto" a pauladas da população que, imaginando ser aquilo um bicho qualquer (e solta fumaça, gente!) deveria ser eliminado. O duro, no fim, foi o motorista querendo sair, e tendo que ser tirado do veículo com a ajuda de um abridor de latas. Ou seja: TENÇO!
Anos depois, foi a vez de agirem as forças do além. No caso aqui, do "aquém". Por que, né? A pessoa não fez a passagem, embora todo mundo jurasse que sim. A mulher empacotou, fizeram a extrema-unção, trabalharam no formol e levaram pro velório. Chegando lá, o usual no evento: chororô, velas acedas, bolo e café passando, um ou outro contando umas piadinhas. Quando, de repente, a dona defunta levanta-se, olha pros lados e pede um copo d'água. Quer dizer... TODOS FOGE.
Vou pensar em novas pra comentar com vocês, no futuro. Enquanto isso, "nozes" fazemos o Merchan das crônicas do meu pai, que fala de outros.
http://www.piracuruca.com/colunatexto.asp?codigo_=429&codigo_1=O Cronista
Abraços!
Mas enfim. As bizarrices que a gente vê por aí nessa época me lembram as zil histórias contadas sobre a minha cidade. Histórias, como diz meu velho e sábio pai, "do tempo que o cão era menino". Ou seja, da época dele. Ou um pouco antes, mas ele fala com aquela propriedade, inventada ou não. Enfim: os fatos bizarros que se procedem no cotidiano real ou imaginário piracuruquense merecem destaques.
Uma das histórias que meu pai conta, em geral para deixar minha tia de 93 anos p*** da vida são de quando ela morava na Conceição, uma antiquíssima propriedade da minha família, onde ele costuma dizer que as coisas eram tão antigas, mas tão antigas, que a galera, nos idos de mil novecentes e nunca, jamais tinha visto um carro. E o primeiro que apareceu foi "morto" a pauladas da população que, imaginando ser aquilo um bicho qualquer (e solta fumaça, gente!) deveria ser eliminado. O duro, no fim, foi o motorista querendo sair, e tendo que ser tirado do veículo com a ajuda de um abridor de latas. Ou seja: TENÇO!
Anos depois, foi a vez de agirem as forças do além. No caso aqui, do "aquém". Por que, né? A pessoa não fez a passagem, embora todo mundo jurasse que sim. A mulher empacotou, fizeram a extrema-unção, trabalharam no formol e levaram pro velório. Chegando lá, o usual no evento: chororô, velas acedas, bolo e café passando, um ou outro contando umas piadinhas. Quando, de repente, a dona defunta levanta-se, olha pros lados e pede um copo d'água. Quer dizer... TODOS FOGE.
Vou pensar em novas pra comentar com vocês, no futuro. Enquanto isso, "nozes" fazemos o Merchan das crônicas do meu pai, que fala de outros.
http://www.piracuruca.com/colunatexto.asp?codigo_=429&codigo_1=O Cronista
Abraços!
quinta-feira, 3 de março de 2011
SuperCult entrevista o "Sr. Melão" Vitor Santos

A televisão é uma constelação cheia de estrelas. Uma delas dá a esse blog a honra de entrevistá-lo. Acadêmico, telemaníaco inveterado e dono de um dos mais famosos (se não o mais famoso) blog sobre o tema na Internet (Eu Prefiro Melão - http://www.euprefiromelao.blogspot.com/), Vitor Santos de Oliveira concedeu essa entrevista ao SuperCult sobre todos esses assuntos, e também sobre sua nova empreitada no mundo televisivo.
SC – Desde quando surgiu sua paixão por novelas?
Vitor - Desde sempre, acho. Minhas lembranças mais remotas são o medo que tinha da Regina Duarte gritando em Sétimo Sentido e da Tereza Rachel fazendo maldades em Louco Amor. Eu ouvia todo mundo comentando o quanto ela era má e achava que a atriz era má de verdade (risos). Ainda nessa época, uma novela me fascinou, “Guerra dos Sexos”. Tinha 6 anos e lembro que brincava com meus vizinhos. Cada um interpretava um personagem na novela e pra mim não tinha ninguém mais bonito no mundo do que a Maitê Proença. Mais tarde, comecei a escrever minhas próprias tramas e as encenava com meus amigos (dava até nomes artísticos pra eles). Já adolescente, escrevi cadernos e cadernos com “novelas” por volta de 150 capítulos, onde cada página do caderno era um capítulo. Mais tarde descobri que o que eu fazia era muito parecido com o que chamamos de escaleta, que é uma espécie de resumo dos capítulos, ainda sem os diálogos. Enfim, desde muito cedo sou um telespectador assíduo e sempre sonhei com o mundo televisivo, mas por morar em Petrópolis e ser de família de classe média baixa, nunca pensei que esse sonho chegaria algum dia.
SC – O interesse por escrever ficção na TV encontrou algum preconceito no meio acadêmico, do qual você também faz parte?
Vitor - O meio acadêmico é, de fato, ainda muito conservador em se tratando de escrever ficção, inclusive televisiva. Lembro que, quando ingressei na faculdade de Letras, pensava que meu lado “escritor” seria super valorizado, mas não é o que acontece. Nada de romances, contos e poemas de sua própria autoria. Tudo o que não for escrita acadêmica, não interessa a eles. Mas, dentro dessa linha acadêmica, há espaços em que se pode falar de ficção televisiva, como o Núcleo de Dramaturgia da USP e o Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Linguística Aplicada da UFRJ, do qual faço parte. Minha orientadora, Branca Falabella Fabrício, possui um projeto em que se estuda o discurso e as práticas sociais, inclusive o discurso midiático. Embarquei nessa e devo dizer que não sofri preconceito algum. Muito pelo contrário. Há muita curiosidade sobre esse universo. Portanto, é só uma questão de procurar e encontrar o lugar ideal.
SC – O universo ficcional de Vitor Santos tem alguma característica específica?
Vitor - Embora já escreva há muuuito tempo, profissionalmente falando ainda sou iniciante. Mas posso dizer que gosto muito de escrever comédias românticas, estórias onde as relações pessoais sejam o foco. A temática da amizade e da família me perseguem um pouco. Não sei bem se essas características irão perdurar no decorrer de minha carreira, mas tenho uma preferência por estórias em que os personagens movam a trama e não o contrário. Gosto de focar no lado humano do personagem e evito ao máximo, estereótipos e tramas maniqueístas. Vamos ver. Só o tempo irá responder ao certo.
SC – Além de roteirista e blogueiro, você é conhecido por ser fã inconteste de Betty Faria. A relação que você já estabeleceu com a atriz denotou alguma característica marcante desse “universo”?
Vitor - Minha paixão pela Betty vem de longe e essas coisas a gente não consegue explicar muito. Acho-a linda e talentosíssima, como muitas atrizes são, mas ela consegue me cativar de uma maneira única. Não sei se é porque ela lembra muito a minha mãe (risos) ou se as personagens que ela interpreta são, em sua maioria, mulheres fortes, belas, intensas e batalhadoras. O fato é que Betty, pra mim, representa o protótipo de feminilidade da mulher brasileira. Nunca pensei que um dia fosse conhecê-la. Nesse dia, quando fui vê-la no teatro em São Paulo encenando “Shirley Valentine”, fiquei até meio bobo, enquanto ela, simpática e exuberante, me apresentou pra todo mundo e demonstrou muita alegria em me conhecer, já que ela sabia que eu era o criador de sua comunidade no Orkut e também comentarista constante de seu blog. A partir daí, nos falamos de vez em quando, mas sempre com muito carinho. Considero a entrevista que ela concedeu ao Melão, uma de minhas maiores conquistas. Quando ela me encontrou em um evento, fez questão de entrar de braços dados comigo. Na época, estava cursando a Oficina de Teledramaturgia da Rede Globo e ela me deu a maior força. O que mais me encantou foi que, pra mim ela continuou um mito, mas também se revelou um ser humano espetacular. Nem preciso dizer que meu sonho é escrever pra ela um dia, né? (risos).
SC – E o Eu Prefiro Melão? Como, quando e por que o blog surgiu?
Vitor - Sou blogueiro de longa data. Tinha com o Carlos Carvalho, meu companheiro, um blog de conteúdo geral chamado Aqueles dois e logo depois criei um blog de cinema chamado Cinema, etc – O Vitor viu.... Mais tarde, percebi que não tinha um veículo para falar sobre meu assunto favorito e sentia necessidade de falar para um número maior de pessoas do que há nas listas de discussões e comunidades das quais fazemos parte. Daí a ideia do blog. O nome é uma homenagem ao Cassiano Gabus Mendes. Faço uma alusão à famosa fala de Dom Lázaro Venturini (Lima Duarte) em Meu bem meu mal, que após sofrer um derrame e ficar meses sem falar, ao ser perguntado pela enfermeira se preferia mamão ou melão dá essa resposta para surpresa dela e do público. Acho que muita gente que viu essa cena já imitou o Dom Lázaro com boca torta e tudo dizendo “eu prefiro melão”...(risos)! Só não esperava que o blog teria essa repercussão tão grande, inclusive obtendo o respeito e reconhecimento de profissionais que sempre admirei como Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Alcides Nogueira, meu querido Tide, muso absoluto do Melão.
SC – Em sua opinião, os blogs e comunidades virtuais sobre televisão em redes sociais (das quais fazemos parte) atuam hoje como uma “crítica de TV paralela”? Se sim, qual é a sua repercussão? Vitor - Sem dúvida. Antes da internet, a repercussão de uma novela (que é diferente de audiência) só podia ser medida pelo boca-a-boca e sempre dependíamos de meios institucionais para lermos a respeito. Infelizmente, são pouquíssimos os jornalistas que levam TV a sério (Artur da Távola era uma exceção). Por isso, acho importantíssimo o trabalho de pessoas que criam blogs e comunidades de discussão sobre teledramaturgia. Entre os blogs, há aqueles que se dedicam apenas a fazer “clipping” de notícias e há os que criam conteúdo próprio, como o meu, como o Zappiando, do Paulo Ricardo Diniz e o No mundo dos famosos, do Jeferson Balbino, por exemplo. Hoje em dia é possível medir a repercussão de uma novela em tempo real pelo Twitter. O que está acontecendo com a reprise de Vale Tudo é um verdadeiro fenômeno. As pessoas repercutem cada cena e há os fakes que falam e reagem como se fossem os personagens da novela. É a prova de que a internet não tira audiência da TV. Pelo contrário, pode até fortalecê-la, pois o espectador de hoje pode dar conta de várias mídias ao mesmo tempo. A teledramaturgia atual precisa, não só ficar de olho com o que é veiculado em blogs e redes sociais, como também produzir cada vez mais conteúdo transmídia para um público ávido por esse tipo de interação.
SC – Recentemente, você se tornou um dos mais novos contratados da Rede Globo de Televisão. Qual é a sensação de chegar a um lugar ao qual tantos outros almejam? Pode falar de algum projeto?
A sensação é a mais maravilhosa possível, afinal verdade seja dita: não há lugar melhor no Brasil para um roteirista trabalhar do que a Rede Globo, que abarca em sua grade, produtos para todo tipo de público. Pra mim, é a realização de um sonho, pois como já disse, cresci assistindo às novelas da Globo e querendo fazer parte desse universo. Mas não teve nada de “Cinderela” nesse sonho. Muito pelo contrário, ele foi construído passo a passo, com muita luta, muito trabalho e, principalmente, muita determinação. Desde que resolvi ir abandonando aos poucos o magistério para fazer o que realmente gosto, em 2007, investi em cursos e tive professores maravilhosos como Margareth Boury, que me ensinou a carpintaria básica, Maria Carmem Barbosa, Marcílio Moraes e Max Mallmann. Aliás, foi através do Max e de meu querido Tide (minha gratidão eterna aos dois), que fui indicado para o processo seletivo da Oficina de Teledramaturgia no ano passado, que contou com centenas de candidatos. Consegui fazer parte da turma de 16 alunos e ser um dos contratados no final. Foi uma experiência riquíssima em todos os sentidos, pois além de aprender muito, fiz amigos incríveis e vivi as dores e delícias de se trabalhar em TV, com toda a pressão e suor a que se tem direito. Vencida essa batalha, tudo ainda está muito recente (tenho pouco mais de dois meses de contrato ainda). Estou fazendo pequenos trabalhos e ainda não posso adiantar as novidades. Sei que consegui uma vitória sensacional, que foi ter conseguido entrar, mas acredito que o verdadeiro desafio começa agora. Garra e vontade de trabalhar não me faltam. Vamos aguardar que, com certeza, vem coisa muito boa por aí.
SC - Obrigado pela entrevista! Os leitores do SuperCult agradecem sua amizade com esse espaço, e estão sempre de portas abertas para sua visita.
Eu é que agradeço, querido! É um prazer e um privilégio pra mim, pois além de um amigo querido, você conduz o SuperCult com talento e inteligência. SuperCult e Melão são parceiros! Obrigado pelo espaço. Sorte e sucesso para nós!
SC – Desde quando surgiu sua paixão por novelas?
Vitor - Desde sempre, acho. Minhas lembranças mais remotas são o medo que tinha da Regina Duarte gritando em Sétimo Sentido e da Tereza Rachel fazendo maldades em Louco Amor. Eu ouvia todo mundo comentando o quanto ela era má e achava que a atriz era má de verdade (risos). Ainda nessa época, uma novela me fascinou, “Guerra dos Sexos”. Tinha 6 anos e lembro que brincava com meus vizinhos. Cada um interpretava um personagem na novela e pra mim não tinha ninguém mais bonito no mundo do que a Maitê Proença. Mais tarde, comecei a escrever minhas próprias tramas e as encenava com meus amigos (dava até nomes artísticos pra eles). Já adolescente, escrevi cadernos e cadernos com “novelas” por volta de 150 capítulos, onde cada página do caderno era um capítulo. Mais tarde descobri que o que eu fazia era muito parecido com o que chamamos de escaleta, que é uma espécie de resumo dos capítulos, ainda sem os diálogos. Enfim, desde muito cedo sou um telespectador assíduo e sempre sonhei com o mundo televisivo, mas por morar em Petrópolis e ser de família de classe média baixa, nunca pensei que esse sonho chegaria algum dia.
SC – O interesse por escrever ficção na TV encontrou algum preconceito no meio acadêmico, do qual você também faz parte?
Vitor - O meio acadêmico é, de fato, ainda muito conservador em se tratando de escrever ficção, inclusive televisiva. Lembro que, quando ingressei na faculdade de Letras, pensava que meu lado “escritor” seria super valorizado, mas não é o que acontece. Nada de romances, contos e poemas de sua própria autoria. Tudo o que não for escrita acadêmica, não interessa a eles. Mas, dentro dessa linha acadêmica, há espaços em que se pode falar de ficção televisiva, como o Núcleo de Dramaturgia da USP e o Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Linguística Aplicada da UFRJ, do qual faço parte. Minha orientadora, Branca Falabella Fabrício, possui um projeto em que se estuda o discurso e as práticas sociais, inclusive o discurso midiático. Embarquei nessa e devo dizer que não sofri preconceito algum. Muito pelo contrário. Há muita curiosidade sobre esse universo. Portanto, é só uma questão de procurar e encontrar o lugar ideal.
SC – O universo ficcional de Vitor Santos tem alguma característica específica?
Vitor - Embora já escreva há muuuito tempo, profissionalmente falando ainda sou iniciante. Mas posso dizer que gosto muito de escrever comédias românticas, estórias onde as relações pessoais sejam o foco. A temática da amizade e da família me perseguem um pouco. Não sei bem se essas características irão perdurar no decorrer de minha carreira, mas tenho uma preferência por estórias em que os personagens movam a trama e não o contrário. Gosto de focar no lado humano do personagem e evito ao máximo, estereótipos e tramas maniqueístas. Vamos ver. Só o tempo irá responder ao certo.
SC – Além de roteirista e blogueiro, você é conhecido por ser fã inconteste de Betty Faria. A relação que você já estabeleceu com a atriz denotou alguma característica marcante desse “universo”?
Vitor - Minha paixão pela Betty vem de longe e essas coisas a gente não consegue explicar muito. Acho-a linda e talentosíssima, como muitas atrizes são, mas ela consegue me cativar de uma maneira única. Não sei se é porque ela lembra muito a minha mãe (risos) ou se as personagens que ela interpreta são, em sua maioria, mulheres fortes, belas, intensas e batalhadoras. O fato é que Betty, pra mim, representa o protótipo de feminilidade da mulher brasileira. Nunca pensei que um dia fosse conhecê-la. Nesse dia, quando fui vê-la no teatro em São Paulo encenando “Shirley Valentine”, fiquei até meio bobo, enquanto ela, simpática e exuberante, me apresentou pra todo mundo e demonstrou muita alegria em me conhecer, já que ela sabia que eu era o criador de sua comunidade no Orkut e também comentarista constante de seu blog. A partir daí, nos falamos de vez em quando, mas sempre com muito carinho. Considero a entrevista que ela concedeu ao Melão, uma de minhas maiores conquistas. Quando ela me encontrou em um evento, fez questão de entrar de braços dados comigo. Na época, estava cursando a Oficina de Teledramaturgia da Rede Globo e ela me deu a maior força. O que mais me encantou foi que, pra mim ela continuou um mito, mas também se revelou um ser humano espetacular. Nem preciso dizer que meu sonho é escrever pra ela um dia, né? (risos).
SC – E o Eu Prefiro Melão? Como, quando e por que o blog surgiu?
Vitor - Sou blogueiro de longa data. Tinha com o Carlos Carvalho, meu companheiro, um blog de conteúdo geral chamado Aqueles dois e logo depois criei um blog de cinema chamado Cinema, etc – O Vitor viu.... Mais tarde, percebi que não tinha um veículo para falar sobre meu assunto favorito e sentia necessidade de falar para um número maior de pessoas do que há nas listas de discussões e comunidades das quais fazemos parte. Daí a ideia do blog. O nome é uma homenagem ao Cassiano Gabus Mendes. Faço uma alusão à famosa fala de Dom Lázaro Venturini (Lima Duarte) em Meu bem meu mal, que após sofrer um derrame e ficar meses sem falar, ao ser perguntado pela enfermeira se preferia mamão ou melão dá essa resposta para surpresa dela e do público. Acho que muita gente que viu essa cena já imitou o Dom Lázaro com boca torta e tudo dizendo “eu prefiro melão”...(risos)! Só não esperava que o blog teria essa repercussão tão grande, inclusive obtendo o respeito e reconhecimento de profissionais que sempre admirei como Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Alcides Nogueira, meu querido Tide, muso absoluto do Melão.
SC – Em sua opinião, os blogs e comunidades virtuais sobre televisão em redes sociais (das quais fazemos parte) atuam hoje como uma “crítica de TV paralela”? Se sim, qual é a sua repercussão? Vitor - Sem dúvida. Antes da internet, a repercussão de uma novela (que é diferente de audiência) só podia ser medida pelo boca-a-boca e sempre dependíamos de meios institucionais para lermos a respeito. Infelizmente, são pouquíssimos os jornalistas que levam TV a sério (Artur da Távola era uma exceção). Por isso, acho importantíssimo o trabalho de pessoas que criam blogs e comunidades de discussão sobre teledramaturgia. Entre os blogs, há aqueles que se dedicam apenas a fazer “clipping” de notícias e há os que criam conteúdo próprio, como o meu, como o Zappiando, do Paulo Ricardo Diniz e o No mundo dos famosos, do Jeferson Balbino, por exemplo. Hoje em dia é possível medir a repercussão de uma novela em tempo real pelo Twitter. O que está acontecendo com a reprise de Vale Tudo é um verdadeiro fenômeno. As pessoas repercutem cada cena e há os fakes que falam e reagem como se fossem os personagens da novela. É a prova de que a internet não tira audiência da TV. Pelo contrário, pode até fortalecê-la, pois o espectador de hoje pode dar conta de várias mídias ao mesmo tempo. A teledramaturgia atual precisa, não só ficar de olho com o que é veiculado em blogs e redes sociais, como também produzir cada vez mais conteúdo transmídia para um público ávido por esse tipo de interação.
SC – Recentemente, você se tornou um dos mais novos contratados da Rede Globo de Televisão. Qual é a sensação de chegar a um lugar ao qual tantos outros almejam? Pode falar de algum projeto?
A sensação é a mais maravilhosa possível, afinal verdade seja dita: não há lugar melhor no Brasil para um roteirista trabalhar do que a Rede Globo, que abarca em sua grade, produtos para todo tipo de público. Pra mim, é a realização de um sonho, pois como já disse, cresci assistindo às novelas da Globo e querendo fazer parte desse universo. Mas não teve nada de “Cinderela” nesse sonho. Muito pelo contrário, ele foi construído passo a passo, com muita luta, muito trabalho e, principalmente, muita determinação. Desde que resolvi ir abandonando aos poucos o magistério para fazer o que realmente gosto, em 2007, investi em cursos e tive professores maravilhosos como Margareth Boury, que me ensinou a carpintaria básica, Maria Carmem Barbosa, Marcílio Moraes e Max Mallmann. Aliás, foi através do Max e de meu querido Tide (minha gratidão eterna aos dois), que fui indicado para o processo seletivo da Oficina de Teledramaturgia no ano passado, que contou com centenas de candidatos. Consegui fazer parte da turma de 16 alunos e ser um dos contratados no final. Foi uma experiência riquíssima em todos os sentidos, pois além de aprender muito, fiz amigos incríveis e vivi as dores e delícias de se trabalhar em TV, com toda a pressão e suor a que se tem direito. Vencida essa batalha, tudo ainda está muito recente (tenho pouco mais de dois meses de contrato ainda). Estou fazendo pequenos trabalhos e ainda não posso adiantar as novidades. Sei que consegui uma vitória sensacional, que foi ter conseguido entrar, mas acredito que o verdadeiro desafio começa agora. Garra e vontade de trabalhar não me faltam. Vamos aguardar que, com certeza, vem coisa muito boa por aí.
SC - Obrigado pela entrevista! Os leitores do SuperCult agradecem sua amizade com esse espaço, e estão sempre de portas abertas para sua visita.
Eu é que agradeço, querido! É um prazer e um privilégio pra mim, pois além de um amigo querido, você conduz o SuperCult com talento e inteligência. SuperCult e Melão são parceiros! Obrigado pelo espaço. Sorte e sucesso para nós!
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
O quê que há na pornochanchada
É de conhecimento geral da nação que sou um rapaz comportado. Comportado mesmo, o tipo respeitador, cavalheiro, pra casar. E sou, compenetro-me da condição. Mas é impossível, mesmo para tipos como eu, não desviar seus olhares para lados, digamos, "menos comportados" de outras facções da vida e, em especial, da arte. Porque a arte é, por sua essência, transgressora, atrevida e mal-comportada, graças a Deus.
Vamos falar de cinema, que tem sido um dos meus assuntos favoritos nos últimos tempos (ao lado de BBB, literatura, neurociência, física quântica e outros assuntos metafísicos). Como já falei do cinema marginal, dedico-me, aqui, a uma outra faceta da sétima arte, não menos controversa: as pornochanchadas.
Escandalosas, cômicas, divertidíssimas, elas eram tudo, menos pornográficas. Salvo, claro, algumas exceções, como o clássico Ó, Rebuceteio, a pornochanchada é o que há de mais inocente em termo de material que tem em seu bojo principal o tratamento a questões da sexualidade, ou, pelo menos, da sensualidade, o que se mistura. Inspirados nas comédias italianas, e buscando atingir um maior público que o "cinema de conceito", em geral, se enquadram no chamado "erotismo softcore", com insinuação de sexo, porém sem explicitação.
É óbvio que o governo da época, a década de 70 e o auge da Ditadura Militar, não entendeu a coisa dessa forma. Censurou, vetou e cortou sem dó nem piedade. Muitos dos filmes que chegaram a ser liberados tiveram cortes tão profundos que seu entendimento ficou seriamente comprometido. A visão da época, que distanciava a pornochanchada da arte cinematográfica dita "séria" fez com que o cinema brasileiro ficasse estereotipado como sinônimo de nudez, palavrões e toda sorte de baixarias. Injustiça? Em parte, sim. Principalmente porque comprometeu muita coisa boa, que poderia ser reverenciada até os dias de hoje.
Aí vão alguns exemplos de pornochanchadas que marcaram o cinema nacional.
A Super Fêmea (1973)
Vera Fischer, aí como seus 22 aninhos, protagoniza o filme que teve como um de seus roteiristas Lauro César Muniz, vivendo uma modelo que faz propaganda de uma pílula contraceptiva masculina. Para conquistar a confiança do público-alvo, que teme que o produto cause impotência, as gravações do comercial contam com cenas pra lá de picantes. Hilária a cena em que Carlos Coelho tem de "arrebatar" a beldade, e é interrompido pelo diretor que acha que ele tem que ter mais, digamos, pegada na atitude. "Uma mulher boa dessas!", brada o diretor. Vale a pena conferir.
Amante Muito Louca (1973)
Muito mais que pornochanchada, uma grande comédia de costumes da sociedade brasileira à época. Cláudio Corrêa e Castro é um gerente bancário de vida padrão, que tem uma mulherzinha submissa e dois filhos adolescentes. Também tem uma amante (Tereza Rachek), que entende de ir à praia na qual a família vai passar férias.
A Árvore dos Sexos (1978)
Nesse clássico, dirigido por Sílvio de Abreu, Nadia Lippi e Ney Santanna protagonizam a história passada numa cidadezinha com uma árvore que faz as mulheres engravidarem. Depois da descoberta, as mulheres do local passam a ter uma vida sexual, digamos, mais liberal, podendo depois botar a culpa na árvore. Isso sim, uma verdadeira sacanagem...
Snuff - Vítimas do Prazer (1977)
"Estreia hoje o filme que mata!", anunciou o jornal Notícias Populares quando da estreia desse exemplar, em seu caderno de variedades. O enredo contava de dois diretores de cinema que contratam atores e equipes de filmagem para um suposto "filme pornográfico", quando a ideia é filmar um autêntico "snuff movie", com cenas de morter reais. Tenso. :
Nos Embalos de Ipanema (1978)
Neste, dirigido pelo hoje autor de novelas Antonio Calmon, André De Biasi é Toquinho, um garotão surfista que se prostitui para tentar conseguir realizar seu sonho de surfar no Hawaii. O ambiente do surf e o fundo musical "Sossego" de Tim Maia marcaram a vibe solar que caracteriza Calmon até hoje.
Histórias que Nossas Babás não Contavam (1979)
Amor Estranho Amor (1979)
Não chega a ser exatamente uma chanchada, por conter um conteúdo mais sério e dramático que os demais. Tornou-se, porém, uma lenda entre os aficcionados pelo gênero pela polêmica participal de Xuxa Meneguel, então com 16 anos, como Tamara, uma prostituta que teria sua falsa virginidade leiloada entre os ricos frequentadores do bordel onde também trabalha Anna (Vera Fischer), a amante do governador de São Paulo. Tamara, então, conhece, seduz e molesta o garoto Hugo (Marcelo Ribeiro que, há uns 4 anos, se aproveitando da fama infantil, deu entrevistas, lançou um livro e fez um filme realmente pornô). A Rainha dos Baixinhos foge da lembrança do filme como o diabo foge da cruz, chegando a entrar com uma liminar judicial, recolhendo fitas e cópias. Em vão. O filme foi lançado em DVD nos Estados Unidos em 2005, podendo ser adquirido em sites estrangeiros por importação. Ainda por cima, o Google (santo Google...) divulgou-o na íntegra no Youtube, dividido em cinco partes. É, Xuxa... teu passado te condena.
Fuscão Preto (1983)
Fecha nossa lista esse exemplo exemplar do início dos anos 80. Baseado na música homônima de Atílio Versuti e Jeca Mineiro, contou também com a participação de Xuxa Meneguel (ela de novo). A loira é Diana, uma patricinha que começa a ser perseguida por um Fusca (naquela vibe "Christine, o Carro Asssassino). Em vez de sentir medo, ela passa a ficar excitada com o veículo, ou seu motorista. E hoje posa de boa moça. Usando as palavras dela própria, "aham, Xuxa, senta lá".
Gostaram da lista? Se seu favorito faltou aí, diga qual ele é. Abraços!
OBS.: Os vídeos referentes a dois não foram postados graças a um problema técnico do blog. Mas no Youtube tem de todos. :D
Vamos falar de cinema, que tem sido um dos meus assuntos favoritos nos últimos tempos (ao lado de BBB, literatura, neurociência, física quântica e outros assuntos metafísicos). Como já falei do cinema marginal, dedico-me, aqui, a uma outra faceta da sétima arte, não menos controversa: as pornochanchadas.
Escandalosas, cômicas, divertidíssimas, elas eram tudo, menos pornográficas. Salvo, claro, algumas exceções, como o clássico Ó, Rebuceteio, a pornochanchada é o que há de mais inocente em termo de material que tem em seu bojo principal o tratamento a questões da sexualidade, ou, pelo menos, da sensualidade, o que se mistura. Inspirados nas comédias italianas, e buscando atingir um maior público que o "cinema de conceito", em geral, se enquadram no chamado "erotismo softcore", com insinuação de sexo, porém sem explicitação.
É óbvio que o governo da época, a década de 70 e o auge da Ditadura Militar, não entendeu a coisa dessa forma. Censurou, vetou e cortou sem dó nem piedade. Muitos dos filmes que chegaram a ser liberados tiveram cortes tão profundos que seu entendimento ficou seriamente comprometido. A visão da época, que distanciava a pornochanchada da arte cinematográfica dita "séria" fez com que o cinema brasileiro ficasse estereotipado como sinônimo de nudez, palavrões e toda sorte de baixarias. Injustiça? Em parte, sim. Principalmente porque comprometeu muita coisa boa, que poderia ser reverenciada até os dias de hoje.
Aí vão alguns exemplos de pornochanchadas que marcaram o cinema nacional.
A Super Fêmea (1973)
Vera Fischer, aí como seus 22 aninhos, protagoniza o filme que teve como um de seus roteiristas Lauro César Muniz, vivendo uma modelo que faz propaganda de uma pílula contraceptiva masculina. Para conquistar a confiança do público-alvo, que teme que o produto cause impotência, as gravações do comercial contam com cenas pra lá de picantes. Hilária a cena em que Carlos Coelho tem de "arrebatar" a beldade, e é interrompido pelo diretor que acha que ele tem que ter mais, digamos, pegada na atitude. "Uma mulher boa dessas!", brada o diretor. Vale a pena conferir.
Amante Muito Louca (1973)
Muito mais que pornochanchada, uma grande comédia de costumes da sociedade brasileira à época. Cláudio Corrêa e Castro é um gerente bancário de vida padrão, que tem uma mulherzinha submissa e dois filhos adolescentes. Também tem uma amante (Tereza Rachek), que entende de ir à praia na qual a família vai passar férias.
A Árvore dos Sexos (1978)
Nesse clássico, dirigido por Sílvio de Abreu, Nadia Lippi e Ney Santanna protagonizam a história passada numa cidadezinha com uma árvore que faz as mulheres engravidarem. Depois da descoberta, as mulheres do local passam a ter uma vida sexual, digamos, mais liberal, podendo depois botar a culpa na árvore. Isso sim, uma verdadeira sacanagem...
Snuff - Vítimas do Prazer (1977)
"Estreia hoje o filme que mata!", anunciou o jornal Notícias Populares quando da estreia desse exemplar, em seu caderno de variedades. O enredo contava de dois diretores de cinema que contratam atores e equipes de filmagem para um suposto "filme pornográfico", quando a ideia é filmar um autêntico "snuff movie", com cenas de morter reais. Tenso. :
Nos Embalos de Ipanema (1978)
Neste, dirigido pelo hoje autor de novelas Antonio Calmon, André De Biasi é Toquinho, um garotão surfista que se prostitui para tentar conseguir realizar seu sonho de surfar no Hawaii. O ambiente do surf e o fundo musical "Sossego" de Tim Maia marcaram a vibe solar que caracteriza Calmon até hoje.
Histórias que Nossas Babás não Contavam (1979)
Aqui, Costinha e Adele Fátima protagonizavam uma sátira ao conto de fadas Branca de Neve e os Sete Anões. Clara das Neves (Adele) é perseguida por sua madrasta má, que conta com a assessoria de um espelho mágico homossexual. A madrasta manda um caçador (Costinha, tinha que ser ele) matá-la. Mas ele, que não era bobo, troca aliberdade de Clara por "favores". Nem preciso entrar em detalhes. A morenaça foge para o meio da mata, até encontrar uma cabana onde vivem 7 anões. Ali sim, ela não escapa.
Amor Estranho Amor (1979)
Não chega a ser exatamente uma chanchada, por conter um conteúdo mais sério e dramático que os demais. Tornou-se, porém, uma lenda entre os aficcionados pelo gênero pela polêmica participal de Xuxa Meneguel, então com 16 anos, como Tamara, uma prostituta que teria sua falsa virginidade leiloada entre os ricos frequentadores do bordel onde também trabalha Anna (Vera Fischer), a amante do governador de São Paulo. Tamara, então, conhece, seduz e molesta o garoto Hugo (Marcelo Ribeiro que, há uns 4 anos, se aproveitando da fama infantil, deu entrevistas, lançou um livro e fez um filme realmente pornô). A Rainha dos Baixinhos foge da lembrança do filme como o diabo foge da cruz, chegando a entrar com uma liminar judicial, recolhendo fitas e cópias. Em vão. O filme foi lançado em DVD nos Estados Unidos em 2005, podendo ser adquirido em sites estrangeiros por importação. Ainda por cima, o Google (santo Google...) divulgou-o na íntegra no Youtube, dividido em cinco partes. É, Xuxa... teu passado te condena.
Fuscão Preto (1983)
Fecha nossa lista esse exemplo exemplar do início dos anos 80. Baseado na música homônima de Atílio Versuti e Jeca Mineiro, contou também com a participação de Xuxa Meneguel (ela de novo). A loira é Diana, uma patricinha que começa a ser perseguida por um Fusca (naquela vibe "Christine, o Carro Asssassino). Em vez de sentir medo, ela passa a ficar excitada com o veículo, ou seu motorista. E hoje posa de boa moça. Usando as palavras dela própria, "aham, Xuxa, senta lá".
Gostaram da lista? Se seu favorito faltou aí, diga qual ele é. Abraços!
OBS.: Os vídeos referentes a dois não foram postados graças a um problema técnico do blog. Mas no Youtube tem de todos. :D
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Cinemar, (de)compor, escreviver: calidoscópios juvenis em perspectiva
Leituras, leituras... a sina de um jovem e recém-graduado historiador em períodos de férias, no intermezzo entre dois momentos cruciais de sua vida. Mudanças que se apresentam, e que se mostram em vias de concretizar, mas tudo a seu tempo. Enquanto isso, só resta esperar. E há formas melhores de esperar do que acompanhado de boas leituras? Pois é. E poucas leituras reuniriam mais os gostos do blogueiro que ora vos fala do que "História, Cinema e outras imagens juvenis", uma compilação de artigos reunidos pelo Prof. Dr. Edwar Castelo Branco, líder do grupo de pesquisa "História, Cultura e Subjetividade" no CNPq.
O livro reúne o resultado de pesquisas que versam sobre os mais diversos temas, que convergem nos interesses da juventude brasileira em diversas épocas, em especial nos anos 60/70. Abrange textos referentes à produção cinematográfica em super-8 no Piauí na década de 1960, bem como as temáticas ligadas a tais filmes. O experimentalismo marginal e sua relação conflituosa com os modelos comercialmente padronizados, bem como suas divergências com o chamado Cinema Novo e seus representantes. Fariam parte de uma mesma estética cinematográfica ou guardariam diferenças suficientes para sua segregação?
A juventude dos anos 60 e 70, dividida entre os pertencentes à sociedade-padrão aceitável, os panfletários marxistas e os anarco-marginais, foge aos estereótipos porventura construídos para ela. É possível encontrar nas letras pernambucanas de Jomard Muniz de Brito uma multiplicidade de estéticas, bem como uma busca constante por uma "revolição" cultural, fundamentada em uma desconstrução dos "monstros sangrados" da arte e da política brasileira.
Se em 1968 as palavras se levantavam em protestos por parte dos estudantes da UNE, o desbunde era resultado de um processo sócio-histórico de transformação cultural do país. Teresina entrava em um circuito cultural que, no fim do século, ajudaria a configurar tal cenário. O cinema chegava, visto por muitos intelectuais da época como uma "invenção do diabo", trazendo novos costumes, maneiras de ver, vestir, amar as pessoas, sentir o mundo ao redor. Os escritos de Higino Cunha, Elias Martins e Clodoaldo Freitas divergiam quanto às contribuições da sétima arte à formação cotidiana teresinense.
A contracultura se apresenta em imagens, fotografias, conceitos e músicas. A arte musical e o surrealismo no rock de Raul Seixas deixa transparecer o esoterismo presente em sua filosofia hippie, a ideia de liberdade de atitudes, ao mesmo tempo em que, contraditoriamente, se mostrava moralista em termos sexuais.
Uma amálgama de identidades se construiu em torno das juventudes de todas as épocas. Discursos dissonantes e aventuras culturais, desafiando as visões pragmáticas do homem, este ser complexo, em seu momento biológico mais particular. Um conjunto de imagens que se misturam numa sopa com pedaços de monturos, o vômito dos dogmas, a merda jogada sobre os monumentos. Uma poção mágica desafiadora, que traz a dúvida maravilhosa e revela os segredos do incerto.
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