quinta-feira, 5 de abril de 2012

Sobre memória e esquecimento: considerações de historiador

Paulo Ricardo Muniz Silva
Licenciado em História pela UESPI
Mestrando em História do Brasil na UFPI




Certa vez, eu lembrava, com alguma dificuldade de detalhes, de uma colega a me contar sobre o resultado de uma pesquisa realizada na Itália, de forma quase que inacreditável. Ela afirmava que uma parcela considerável dos italianos (não consigo precisar quantos) jamais ouviu falar em Benito Mussolini. Lembro-me que compartilhei do mesmo sentimento de incredulidade, surpresa, dentre outras sensações. Eu me perguntava: ora, como os próprios italianos não lembram de Mussolini, o general-ditador, um dos ícones do fascismo e um dos (agora enchendo muito a bola dele) protagonistas do século XX? Não podia acreditar, não podia aceitar.

Mas, absorto em tudo isso, percebi que estava esquecendo de considerar algumas coisas. Primeiro, de lembrar qual é o meu lugar. Não o de italiano, ou mesmo de participante da supracitada guerra, mas de um estudioso da área, um historiador. Segundo, e acho até que o ponto mais importante, do constante dever de não julgar. Afinal, não somos juízes de nada nem de ninguém. Somos, isso sim, questionadores. Temos a capacidade e o dever de lançar problematizações – atividade tão cara no métier do historiador. E tudo isso me remete à seguinte questão: Por que eles não lembram de Mussolini? Será que eles o esqueceram? Se for isso, existe alguma razão para que acontecesse?

Vários historiadores debruçaram-se, em suas pesquisas, sobre a discussão que envolve a relação tênue existente entre História e Memória. Jacy Seixas, em artigo intitulado Percursos de memória em terras de História, nos diz, em suas primeiras linhas, que “vivemos o império da memória, e de seu correlato, o esquecimento”.

Entretanto, foi outro artigo que me fez refletir sobre a questão da lembrança/esquecimento dos italianos e a tal conversa com a tal amiga. Em uma coletânea de textos sobre a Ditadura Civil-Militar, um artigo de um historiador especialista no regime nos conta que são evidentes as dificuldades que a sociedade brasileira tem em recordar esse período. Muitas perguntas podem ser feitas para se entender o motivo dessas dificuldades. Seria difícil reconhecer a participação da sociedade civil no Golpe de 64? Ou seria doloroso rememorar as dificuldades econômicas, sociais, políticas e culturais do período? A dor das prisões e das torturas, a saudade dos que partiram e não mais voltaram... Todos seriam motivos para essa dificuldade de lembrar, e, consequentemente, de uma vontade de esquecer, se é que podemos falar nisso?

Daniel Aarão Reis, autor do artigo, afirma, em seu texto, que “sempre quando os povos transitam de uma fase a outra da história, e quando a outra rejeita taxativamente a anterior, há problemas de memória, resolvidos por reconstruções mais ou menos elaboradas, quando não pelo puro e simples esquecimento”. Ao dar o exemplo dos alemães em relação a Hitler, e dos russos em relação a Stálin, me peguei relembrando os tais italianos da conversa com minha amiga, e pude, enfim, reavaliar meus conceitos e preconceitos para com as atitudes dos mesmos. Já dizia o poeta, que “o esforço pra lembrar é vontade de esquecer”. Problematizar, problematizar, problematizar... não somos juízes.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Dá-lhe Carminha! ou Como Avenida Brasil é uma alternativa para se retratar a nova classe C



Uma boa história é aquela que prende o espectador, sejam quais forem as armas que use para isso. Se a arma é uma história ultra-realista, uma novela-verdade, em que os personagens poderiam ser seus vizinhos de porta, tudo bem. Se não são - e se tratam de uma alpinista social calculista, uma menina-mais-madura-que-a-idade e um craque do futebol fora de forma, por exemplo - melhor ainda.

O caso é que Avenida Brasil, a novela das 9, no ar na Rede Globo desde segunda-feira passada, me agarrou pelo fígado. Atingiu minhas partes baixas, da mesma forma que Carminha fez com Genésio, seu marido, no primeiro capítulo. O fez da forma mais apelativa e sem-vergonha, e me deixou de quatro. A história de Rita, a menina que denuncia a madrasta, que quer roubar o (pouco) dinheiro do pai-proletário e fugir pra São Paulo com o amante-meia-boca, e da madrasta Carminha, que abandona a menina no Lixão, e que vê num craque do Flamengo uma alternativa para enriquecer, tem se transformado num dos temas mais comentados das redes sociais, nas ruas, no mundo (Sim, no mundo. A novela chegou entre os Trading Topics mundiais do Twitter).

A Globo está entendendo que não dá mais para medir a popularidade de uma novela utilizando apenas os números do IBOPE, mas também, e principalmente, a repercussão virtual da trama. Isso visto que boa parte do público assiste a novela pela Internet, no Youtube, no site oficial, ou acompanha a história pelos comentários das redes sociais. Essa é a nova classe C, aliás, a classe retratada com maestria na trama de João Emanuel Carneiro.

Carminha é uma vilã que saiu do lixão para uma vida melhor. Vida melhor, nesse caso, é um casinha de subúrbio, um marido modesto e uma enteada pentelha, a quem ela odeia (e cuja recíproca é absolutamente verdadeira). Seu sonho de uma vida melhor é fugir com o amante para São Paulo com o dinheiro da venda dessa moradia simples, que o marido, um mestre-de-obras, efetuaria. A descoberta por Genésio, seu marido, de seu interesse em passar-lhe a perna é coroada com uma discussão... numa lage. Nada mais classe C. Nada mais apelativo. Nada mais delicioso.

Tufão, por seu turno, é um jogador de futebol de sucesso, mas que insiste em continuar vivendo no Divino, seu bairro de origem, com todas as mazelas de um lugarzinho simples: um salãozinho de beleza, uma vizinhançazinha fofoqueira, uma mãezinha barraqueira, e todo o resto. As cores fortes de Paupéria dão muito mais charme do que se imagina.

Percorrendo a Avenida Brasil, chegaremos aos bairros mais nobres do Rio de Janeiro, onde vive Cadinho, suas duas mulheres, e Alexia, aquela que quer engravidar dele (sem nem saber seu nome). A trama é tão importante nesse início de novela que mereceu nem ser citada no capítulo de ontem, onde tudo, absolutamente tudo, girou em torno da investida de Carminha em criar uma culpa em Tufão pela morte do marido, fragilizá-lo e pegá-lo pelos Países Baixos, e no sofrimento de Rita no lixão, onde encontra o garoto Batata, e Lucinda, a mulher bondosa que a ajudará.

Essa fábula contemporânea, com toques de conto de fadas pós-moderno, pode não ser a trama mais realista do mundo. Rita é mil vezes madura que as crianças de sua idade. Dificilmente, um jogador da envergadura física e etária de Tufão continuaria com essa bola toda (com o perdão do trocadilho), etc e tal. Mas muito pouca gente está se importando com isso. A história é apaixonante, não tem medo da fantasia, e mete os dois pés no folhetim. É disso que o povo gosta. É disso que eu gosto também.

Arrisco dizer que, se fosse viva e atuante no meio que eternizou, Janete Clair estaria escrevendo uma trama nos mesmíssimos moldes de Avenida Brasil. Com os mesmos clichês retransformados, ressignificados e, portanto, novos em folha. Com os mesmos personagens profundamente carismáticos. Fazendo questão do messmo elenco, de primeira, e extremamente bem escolhido pro papeis aos quais foram escalados. Teria criado o mesmo bordão "Dá-lhe Carminha!", que, eu aposto o que vocês quiserem, vai cair na boca do povão em dois tempos.

Um brinde à classe C, à renovação da teledramaturgia, a João Emanuel Carneiro, Ricardo Waddington e respectivas equipes. Um brinde de guaraná, cerveja gelada e churrasquinho na lage. E tenho dito.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Poema-contra-indicação

Noutro dia, Drummond mandou penetrar
surdamente no reino das palavras
Surdamente
Em palavras não palpáveis
Palavras são armas
Palavras são almas
Palavra-pedido de socorro
Aterno pedido
Constante
Pedido silencioso de socorro
Escondido sobre outras formas de falar
Palavra-pedido de colo
Palavra que é silêncio que ninguém escuta
Palavra que é silêncio retumbate
Que ninguém percebe
Palavra com contra-indicação

Fábio Leonardo Brito

sábado, 3 de março de 2012

"A Vida da Gente", ou Uma Parábola sobre o Afeto



Sou, como todos que frequentam esse blog devem saber, um telemaníaco incurável. Fã incondicional de novelas, já vi muitas, verei mais trocentas, gosto de vários estilos, critico e me divirto com tantos outros. Nesse emaranhado de tramas, possibilidades, formas de narrativa escolhidas pelos autores, enquadramento e trilha sonora escolhidos pelos diretores, algumas coisas, no entanto, nos tocam com uma profundidade impressionante.

A Vida da Gente, novela das 18h terminada ontem na Globo, é um desses trabalhos. A proposta de uma novela centrada "nos bastidores da família", como a apresentava a autora Lícia Manzo (oriunda da série Tudo Novo de Novo, onde já refletia a temática) em muito nos lembrava, inicialmente, o estilo de Manoel Carlos, o autor que se eternizou por suas Helenas, mães devotadas, e por suas histórias baseadas em fatos reais, emoções familiares e tramas de alcova.

Certamente, as semelhanças com Maneco são enormes. Mas Lícia Manzo conseguiu nos apresentar algo diferente, extremamente próprio, uma marca pessoal num estilo que já se imaginava estigmatizado por um autor. A dinâmica narrativa possuía um tom mais acelerado; os diálogos sempre redundavam em fatos ou sentimentos importantes no desenrolar da história (nada de "passa o sal", ou "vi uma alface baratinha no Super hoje"), o que nem de longe transformou a história em algo menos sensível. Muito pelo contrário.

A densidade apresentada pela autora centrou-se no perfil psicológico extremamente complexo dos personagens, e no trato dado às novas formatações familiares. Esses dois elementos, em conjunto, deram o tom de uma história cujo mote - a família - se ressignificava profundamente. Enquanto tinhamos Marcos, o marido que ficava em casa enquanto sua esposa a sustentava (representando, aqui, o típico Macho Beta), Dora buscava um homem sensível, que pudesse dar mais atenção e carinho à sua filha. Se Celina se aproximava dos 40 anos, e ainda não tinha um filho, seu marido, Lourenço, tinha um profundo medo da paternidade - até, por uma ambição pessoal, doar seu sêmen ao irmão, Jonas, e se tornar pai do pequeno Tiago, a quem se afeiçoa ao longo da história, e por cuja guarda passa a lutar. O mesmo Tiago, se ter o afeto dos pais de criação, se afeiçoa a Lorena, a babá, a quem vê verdadeiramente como mãe.

Para além de todas as possibilidades tratadas de se falar de família, Lícia Manzo fez de sua trama principal uma história que levou uma grande parcela de público aos píncaros da emoção. Rodrigo, Ana e Manuela, criados juntos na mesma casa, sendo o primeiro, filho de Jonas, e as duas, filhas de Eva, então vindos de casamentos passados, formam um triângulo amoroso dos mais complexos já vistos na TV em todos os tempos. Rodrigo se apaixona por Ana, e vive com ela um romance rápido e arrebatador, o que resulta na gravidez de Ana, combatida pela mãe. Contando com o apoio incondicional de Manuela, a irmã e melhor amiga, que, na tentativa de levá-la rumo a uma vida mais livre, termina se envolvendo num acidente, onde Ana entra em coma por vários anos. O remorso de Manuela cresce quando sua mãe, Eva, a acusa de ser a responsável pelo acidente da irmã. Por um amor maior que todos os outros a Ana, Manuela cria sua filha, Júlia, ao lado de Rodrigo, por quem passa a desenvolver um sentimento profundo e sólido. Esse sentimento, porém, se torna conflitante quando Ana, anos depois, desperta, e, na tentativa de retomar a própria vida, fica dividida entre o amor mal-resolvido com Rodrigo, a lealdade a Manuela e o sentimento que passa a desenvolver com Lúcio, seu médico.

Em mim, como em muitas pessoas, a trama de A Vida da Gente despertou sentimentos controversos. Mas um deles era o mais forte de todos: o final dos enlaces amorosos era algo em segundo plano. Pra mim, importava saber que as irmãs Ana e Manuela teriam seu amor e sua amizade reatadas, apesar de todas as mágoas construídas. O que se apresenta como minha forma de ver as relações. Se histórias de irmãos são meu ponto fraco, a relação de cumplicidade e transmissão de pensamento existente entre Ana e Manu se configurava como o sentimento mais forte existente naquela novela. Um laço que, apesar de ter sido danificado, jamais poderia ser rompido. E, certamente, minha cena predileta foi a reconciliação das duas irmãs.

Tudo isso me leva a pensar que A Vida da Gente foi, na verdade, uma parábola sobre o afeto. Afeto: o sentimento que é a sutura das relações familiares na atualidade, onde não necessariamente os laços sanguíneos são a coisa mais importante. Família é um ato de adoção. Irmãos, consequentemente, são construções que nascem no afeto, muito mais que no sangue. E o que existia entre Ana e Manu transcendia o fato de serem filhas de Eva, e se configurava em algo muito maior. Algo que nem mesmo os amores vividos por elas, o fato de estarem apaixonadas pelo mesmo homem, apesar de capaz de abalar, jamais poderia romper.

Meu desejo, hoje, é o de vida longa, como disse o grande Vitor de Oliveira, à Lícia da Gente! Que venham mais histórias bonitas, sensíveis, sobre os sentimentos mais nobres existentes entre as pessoas: amor, amizade, cumplicidade e afeto.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

SuperCult entrevista Renata Dias Gomes



Hoje, o SuperCult entrevista alguém que conseguiu, em poucos anos, provar que o talento fala mais alto que a tradição. Neta de Dias Gomes e Janete Clair – considerados, de maneira unânime, os dois maiores nomes da teledramaturgia nacional – a roteirista de TV Renata Dias Gomes entrou no mesmo circuito que seus avós eternizaram vista, como não podia deixar de ser, como alguém com a enorme responsabilidade de fazer jus ao sobrenome. Participando como colaboradora em trabalhos de destaque, na Record – as novelas Alta Estação, de Margareth Boury, e Chamas da Vida, de Christiane Friedman – e no SBT – as novelas Uma Rosa com Amor e Amor e Revolução, de Tiago Santiago – a jovem autora criou identidade própria no meio. Dando mais um passo importante em sua carreira, ela acaba de ser contratada pela TV Globo, onde integrará o time de roteiristas de Malhação, e fala ao blog sobre suas impressões sobre a dramaturgia, e as perspectivas de seu trabalho.

SuperCult – Renata, antes de mais nada, é um grande prazer poder entrevistá-la. Como acho que é uma pergunta óbvia, não vou te indagar sobre o grau de influência exercido por seus avós na sua formação (risos). Mas gostaria de saber, diante das grandes mudanças que vêm sofrendo a televisão e os meios de comunicação em geral, nos últimos anos, qual a sua visão sobre a telenovela no contexto em que você está vivendo. O que mudou? O que permaneceu?

Renata – A telenovela ainda é o produto mais assistido da televisão brasileira. Se você olhar as redes sociais na hora da novela das 21h da Globo (a que tem mais audiência) vai notar que boa parte dos assuntos gira em torno disso. Então a novela continua sendo, pra empresa que produz o carro chefe, e pro escritor a melhor forma de chegar ao público. É mágico pensar que a mesma história é contada aqui no Rio de Janeiro e na cidadezinha no extremo Norte ou extremo Sul do país. O ritmo da novela mudou, o tipo de direção, novos autores surgiram, o gênero lentamente se renova, mas continua sendo novela e continua conquistando os brasileiros.

SC – Em algumas de suas declarações, você citou pessoas que lhe influenciaram e incentivaram. Poderia citar alguns nomes que lhe serviram de inspiração para seguir essa carreira? Qual o grau de influência exercido?

Renata – Tive a sorte de receber apoio de grandes autores que foram muito especiais. Como noveleira, eu sempre admirei o trabalho dos grandes mestres Cassiano Gabus Mendes e Ivani Ribeiro. E também dos meus avós, claro. Que além de serem meus maiores exemplos de que é possível contar uma boa história na televisão foram pessoas incríveis e levo seus ensinamentos pra vida. Meu avô foi sem sombra de dúvida o homem mais íntegro, inteligente, generoso que conheci.
Ainda como noveleira, admiro vários autores e aprendi com eles a cada capítulo acompanhado. É difícil citar porque assistia MUITAS novelas antes de ser mãe. Adoro Gloria Perez, Gilberto Braga, Carlos Lombardi.
Depois que comecei a me preparar pra trilhar essa carreira, o Gilberto teve um papel muito especial porque me recebeu na casa dele, leu um texto meu e teceu críticas e elogios que foram e são muito importantes até hoje. Ele me indicou ainda para a oficina da Globo, mas acabei não passando. Depois disso, o Tiago Santiago leu meus roteiros, gostou do meu trabalho e me convidou pra ir pra Record onde caí no colo da Margareth Boury com quem aprendi muito. E deixei pra falar por último da minha fada madrinha que é a Gloria Perez. A Gloria sempre foi minha inspiração, muito antes de conhece-la. Sempre admirei a forma que ela antecipa o futuro, que coloca questões polêmicas na boca do povo. Várias vezes, pensei numa história e depois lembrei: Gloria já fez! E ela tem sido muito especial na minha carreira. Quando ainda estava no SBT, me recebeu em sua casa porque pedi pra conversar sobre as minhas histórias. Ela deu algumas dicas que incorporei as sinopses que um dia, quando estiver preparada pra isso, pretendo apresentar. Pouco depois meu contrato com o SBT foi rescindido e ela esteve o tempo inteiro ao meu lado me apoiando, me indicando para pessoas e mostrando o talento que ela vê em mim.

SC – Sua participação na equipe de roteiristas de Malhação não será sua primeira experiência com uma história sobre jovens. Para você, quais os cuidados no trato desse tema? Como falar de jovens sem torná-los estereotipados ou artificiais?

Renata – Acho que pra falar de jovem sem torná-los artificiais tem que lembrar da nossa juventude. Mesmo em tempos diferentes, jovens sempre têm coisas em comum.

SC – Mesmo trabalhando, ainda, como colaboradora, certamente você tem pretensões de, num futuro breve, escrever suas próprias novelas. Que estilo marcaria uma novela da autora Renata Dias Gomes?

Renata – Ainda não sei dizer, acho que esse estilo vai ser construído com o tempo.

SC Muitos jovens, ainda amadores, têm pretensões de se tornarem roteiristas profissionais. Para muitos desses (dentre os quais me incluo), você se tornou uma espécie de referência. Que dica ou conselho você daria para tantos roteiristas, que ainda estão em busca de um espaço para divulgação de seus trabalhos?

Renata Que estudem bastante, produzam roteiros, façam cursos e aguardem a chance de mostrar o que já fizeram. Muita gente me procura falando que tem uma sinopse de novela e quer apresentar a emissora X. Ninguém começa assinando uma novela, tem que aprender o ofício. Então acredito que o caminho não é escrever sinopse, mas aprender a escrever roteiros. Outra coisa bacana é escrever para teatro que é a base de tudo e onde é mais fácil do autor contar suas histórias. Ou ainda, como eu fiz, começar uma carreira de roteirista procurando produtoras. Acima de tudo, precisa estudar muito e se preparar pra hora que acontecer a oportunidade.

SC – Renata, muitíssimo obrigado pela entrevista! O SuperCult agradece, em nome de todos os leitores, sua disponibilidade e gentileza. Abraços e sucesso!