quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

BBB13 - Análise 2ª Semana - Dhomini e a Babel dos veteranos



Chega ao fim a 2ª semana do BBB13, me deixando com uma certeza: jamais se deve subestimar a capacidade humana de surpreender. Motivo: na primeira semana do programa, a casa perdia dois de seus mais populares e divertidos participantes – Kléber Bambam, rei do efeito tico-e-teco, e o campeão da primeira edição (saído por desistência) e Aline, que já dispensa comentários (tendo, aliás, se transformado em uma celebridade instantânea com maior potencial “arroz de festa” dos últimos dias), eliminada pelo público – e deixava nos espectadores o gosto amargo do marasmo. Ou seja, imaginava-se que o BBB13 tornar-se-ia um spa relaxante para os demais participantes, que em nada contribuíam para tornar o programa interessante. E tome gente reclamando de ter gasto dinheiro em vão, assinando o pay-per-view!

 

Mas o mundo e o BBB dão voltas. E se os últimos sete dias não foram tão eletrizantes quanto a primeira semana – que contou com dois barracos em menos de 24 horas – não se pode chamá-los de desanimados. Big Brother é um jogo de convivência, de pessoas reunidas 24 horas por dia. Não se pode esperar que os participantes estejam todos, o tempo todo, ligados no 220 V. Edição nenhuma foi assim. Mas, sim, muitas coisas aconteceram. A saber:

 

- Um racha no grupo dos veteranos – Se a maioria esperava que os veteranos entrassem no programa com ares de experiência e técnicas para jogarem unidos e chegarem até o fim por esse mérito, estavam enganados. Dhomini bem que tentou manter a fleuma de “titio aconselhador”, no qual muitos novatos – como André, Andressa, Fernanda e Marien – caíram como patinhos. Provavelmente, ele não esperava que Aslan, Nasser e Ivan sacassem o seu jogo mais rápido do que os demais e resolvessem articular de já sua saída. O próprio Dhomini, na semana anterior, já havia comprado uma briga com Eliéser. Esse, por sua vez, quebrou o pau com Anamara por motivos anteriores à reentrada no programa, fazendo com que o grupo dos veteranos ficasse ainda mais dividido. De um lado, Anamara e Dhomini (ela uma fã inveterada do segundo). Do outro, Eliéser e Fani (a dupla que, de encoxada em encoxada, pretende passar o tempo no reality da maneira mais prazerosa possível). Natália permanece apagada, e Yuri, o “super chato” do BBB12, retornou mais contido. O certo é que unidos é que eles não estão.

 

- O romance e as crises de consciência de Nasser e Andressa – Formado com Ivan um trio de grandes amigos no jogo, Andressa e Nasser criaram um encantamento um pelo outro. Ela, no entanto, vivendo um namoro de 9 anos fora da casa, entra em crise por viver ou não essa relação do lado de dentro. A crise parece, aos poucos, ser vencida por um edredom e pelas investidas cada vez mais ousadinhas de Nasser. Vamos ver no que dá.

 

- A entrada de Kamilla – a musa da Casa de Vidro, ao entrar no BBB13 com Marcello, mostrou que não vinha apenas para bater palmas, ou pagar de coadjuvante. Seu exibicionismo e seu desejo de cantar aos quatro ventos já têm despertado uma divisão de opiniões na casa. Em verdade, a paraense parece ser uma jogadora muito mais inteligente do que tenta mostrar: aparecer o máximo possível diante da câmera, e fazer o papel da vítima perseguida pelas outras meninas da casa – que teriam, supostamente, inveja de sua espontaneidade – é uma arma interessante para permanecer no jogo. Em geral, o público adora as espontâneas vitimizadas, e o mal estar entre Kamilla e as demais parece uma bomba-relógio prestes a explodir.

 

- O caso do cachorro – Abafada pelo programa, mas com altas repercussões do lado de fora, a declaração de Dhomini, de que teria arrancado a machadadas os dentes de um cachorro de estimação do sítio de sua família pegou mal. Muito mal. A sociedade civil reverberou a fala do participante com notas de repúdio. Dhomini foi vilanizado como pessoa, e isso, associado ao fato de que já demonstrava desvio de caráter na casa, somou-se para sua indicação ao paredão.

 

E que paredão! Maroca, indicada pelo líder Ivan (também muito mais estrategista do que aparenta) enfrentou Dhomini, que levou seis votos da casa. Foram quase 48 horas de votação no ouro e fio, apertadíssima, despertando a curiosidade do público pelo imprevisível. Anamara, mais sensual, menos gralha, mas não menos autêntica. Dhomini, que refinara a canalhice que lhe rendeu a vitória, há 10 anos atrás. A popular La Maroquita do BBB10, ou o campeão Macunaíma do BBB3? A resposta em números, 54% dos votos, foi poetizada por Pedro Bial, que, parafraseando Karl Marx, anunciou: “A história se repete. Como farsa. Perdeu, campeão.”

 

A eliminação de Dhomini nos deixa um recado e uma indagação. O recado é que, nessa edição, pesquisas de popularidade dizem muito pouco: semana passada, Aline era a segunda mais querida nos números da UOL, e foi eliminada com rejeição alta contra um dos apáticos nessa pesquisa. Nessa semana, Dhomini disparava na frente como favorito a vencer, e é eliminado. Maroca está no páreo como candidata forte, mas saber se ela permanece em um paredão contra um dos novatos é uma incógnita. A indagação que paira é, mais uma vez, a dúvida inicial do público do programa: a casa do BBB13 se transformará em uma grande estufa de plantas? Mais uma vez, creio que não. E não só pelas novidades anunciadas por Boninho – o retorno do Big Fone e o misterioso “BBB Vai e Volta”. Mas, principalmente – concordando com Maurício Stycer – porque se tratam de seres humanos, e de sua capacidade infinita de se reinventarem. E a direção do programa se especializou, nesses treze anos de experiência, em contribuir para essa reinvenção.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

BBB13 - Análise 1ª Semana - Entre novatos e veteranos e envidraçados



E eis que a nave decolou! Depois de um ano, foi ao ar o Big Brother Brasil, atração principal da Rede Globo em janeiro, em sua 13ª edição. Apesar da audiência abaixo das edições anteriores (25 pontos), porém, nos padrões esperados para o horário em que o programa é exibido, essa edição, marcadaa por uma Casa de Vidro com 6 participantes, e com a entrada de 6 ex-BBBs, já vai ficar na história, talvez, por ter os primeiros sete dias mais movimentados de todas as do programa. Eis uma breve análise dos principais acontecimentos e personagens que marcaram a primeira semana da que se pretende a mais crazy de todas as edições do programa:

 
O início intenso do novo BBB tem alguns nomes, e, sem a menor dúvida, o principal deles é Aline. Versão “vida real” da Penha, personagem de Taís Araújo na novela Cheias de Charme, a recepcionista carioca é, por si só, um personagem. A cara do Big Brother Brasil, Aline não mede palavras nem atitudes, e age 20 vezes antes de pensar. Logo na primeira noite, comprou discussão com os veteranos Bambam e Eliéser, e não se arrependeu de uma palavra sequer que disse. Além de barraqueira em potencial, Aline se tornou famosa no programa por suas pérolas, como a frase: “Eu sou BRINDADA!”, ou a colocação “Todo mundo diz que pra entrar na Globo tem que dar pra alguém. Eu não dei pra ninguém e to aqui!”, dentre tantas outras, que fizeram a alegria do público nessa primeira semana. Mais do que uma participante marcante, Aline é daquelas figuras que chamam para si as atenções das câmeras durante a edição. Dá material para os produtores todos os dias, sendo, também, a alegria da direção. Fala pelos cotovelos, briga com colegas de confinamento ao vivo, age e reage. Não deu outra: sua indicação pro paredão seria óbvia. Mas vamos falar dela mais adiante. Voltemo-nos para os demais participantes.


A casa mais vigiada do Brasil ganhou veteranos que voltaram mais experientes. De Anamara, a gralha destabocada do BBB10, tivemos um pouco mais de contenção. De Natália, uma lava incandescente de luxúria no BBB8, tivemos uma decepcionante apatia. De Fani, igualmente lasciva no BBB7, uma personagem calculada para ser a mesma que entrou antes, só que diferente, se é que me entendem (ou não). A espontaneidade, enfim, não foi a marca das mulheres que retornaram ao programa. O mesmo, no entanto, não pôde se dizer dos homens: Dhomini, vencedor do BBB3, voltou, como ele mesmo disse, “sentindo-se em casa”, e fazendo da experiência que amealhou no programa uma arma fortíssima, que o faz candidato favorito ao prêmio nessa primeira semana (tendência que eu espero, sinceramente, que não se confirme). Eliéser retornou o mesmo idiota de sempre: equivocado, narcisista, cego para a opinião alheia. Já Kleber Bambam, junto com Aline, protagonizou a primeira semana. Seja nas múltiplas discussões que teve com muitos colegas de confinamento – a maioria pelo fato de ter “tirado onda” dos novatos na vitória da primeira prova do líder –, seja pela luta entre seus Tico e Teco e com o diretor do programa, pressão que o fez pedir pra sair do jogo, sendo substituído pelo Super Yuri, insuportável personagem da edição passada, que também parece mais contido agora. Vamos acompanhar.

 
Dentre os novatos, o perfil foi de multiplicidade, porém sem maiores estereótipos. A dançarina de flamenco Marien ainda não conseguiu dizer a que veio. A advogada mineira Fernanda parece ser o turbilhão sexual da edição – evidenciando, dessa forma, o tom “marcha lenta” do seu pretendente no programa, o modelo capixaba André. O artista plástico permabucano Aslan, que entrou com o potencial externo de tornar-se vilão da edição, tem se mostrado um esteio racional para os delírios dos colegas, o que só o faz ganhar pontos. O vendedor gaúcho Nasser se apresenta como um forte candidato ao prêmio, por aparentar ter um perfil carismático – especialmente para com um pretenso público adolescente – o que pode vir a crescer com seu flerte adocicado com a paranaense Andressa, ganhando a simpatia de uma parcela enternecida do público. Por fim, o professor de inglês Ivan, hega ao BBB com o projeto de provar que é possível chegar longe no programa usando de parcimônia e alguns tons de intelectualidade. Não é de se estranhar, conhecendo minha trajetória de simpatias no Big Brother, que eu sou um torcedor assumido dos três últimos perfis.

 
Aline e Ivan protagonizaram o primeiro paredão. A meu ver – e concordando com a análise no inspirado discurso de Pedro Bial – o único e imperdoável pecado de Aline foi o de ter entrado no programa a mil por hora, impondo sua personagem aos outros e ao público. Uma pena. A mesma Aline, com um pouquinho menos de azougue, poderia sagrar-se campeã da edição. Vingou, dessa maneira, a causa nerd no BBB, dando a Ivan a oportunidade de prosseguir com seu projeto – ou até mesmo de reformular sua estratégia.

 
Diferente de muitas opiniões que tenho visto e ouvido, não acho que o BBB13 perde a graça com a eliminação de Aline. Teremos, claro, menos pérolas. Mas há perfis potenciais no programa que ainda não se desenvolveram – e o fato de a casa ter recebido, na segunda-feira, os dois moradores que venceram a Casa de Vidro. Se confirmar-se a tendência contida nos perfis, Marcello vai fazer o papel de macho-alfa da edição, e Kamilla rodará a paraense na primeira oportunidade. Mas isso são cenas dos próximos capítulos.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

BBB Crazy - o zarpar da nova navilouca

Hora de vir com a tradicional postagem de estreia de uma nova edição do BBB. Pensei em fazê-la apenas após a primeira semana – e de postar análises semanais, coisa na qual ainda estou pensando, vamos acompanhar – mas não resisti a comentar agora os primeiros dias de programa.

 

De saída, é fato que sempre fui um expectador assíduo do BBB, e insisto em acompanhá-lo, apesar de reconhecer os defeitos crassos das últimas edições. Boninho tem, desde a estreia do reality, em 2002, apostado fichas na mesma receita, mas com temperos diferentes, a cada ano. E nisso, já tivemos cowboys, macunaímas, superpobrinhos e coloridos. As escolhas, despretensiosas e felizes das primeiras edições, foram levando a uma superespecialização, tanto da direção do programa quanto dos próprios candidatos, a optar por “BBBs profissionais” – subcelebridades, que vivem a vida intentando chegar até o programa – e, consequentemente, a uma perca da espontaneidade dos participantes. Essa estratégia bem que funcionou por algum tempo, mas começou a gorar, a meu ver, a partir da 9ª edição.

 

Como uma parábola que já se mostra em sua curva decrescente, o Big Brother Brasil já amargava, nas duas últimas edições (as duas seguintes ao exemplar BBB10, um hiato positivo nessa perca de qualidade), além da perca sucessiva de audiência, uma série de percalços. Seja na aposta em um time fraquíssimo em 2011, que levou à vitória de uma nulidade como Maria Melilo, seja na turma menos apelativa, mas igualmente fraca de 2012, que levou à vitória de Fael – que, um cowboy nos moldes do Rodrigo da 2ª edição, deixou a todos com um gosto travoso de déjà vu. Tudo isso associado ao constrangedor caso de suposto estupro, durante a edição passada, o que só acentuou os holofotes negativos, a onda de críticas da imprensa marrom, entidades pseudomoralistas e canais rivais – e, o pior de tudo, a perda de vários anunciantes.

 

Diante de um momento de inegável crise, a pergunta era: o que fazer? Apesar dos pesares, o Big Brother tornou-se uma instituição difícil de se ignorar na TV brasileira. Seja pelos fãs ardorosos, seja pelos críticos igualmente fanáticos, é possível dizer tudo, menos que o programa não causa alvoroço, disse-me-disse, babado, confusão e gritaria. É nesse contexto que surge a 13ª edição – à qual Pedro Bial resolveu chamar de “BBB Crazy” –, que estreou na última terça-feira (8), com mais do mesmo travestido de cara nova.

 

Esse ano, o reality investiu em dois elementos de sucesso em edições anteriores: a Casa de Vidro, que marcou a 9ª edição, e a volta de ex brothers, que foi uma das principais vedetes da edição de número 10. No envidraçado colocado no Santana Parque Shopping de São Paulo, foram confinados 6 participantes, aspirantes a BBBs, que inauguraram os trabalhos do programa antes mesmo da estreia, como uma espécie de aquecimento das turbinas. Estratégia acertadíssima de Boninho, a Casa de Vidro fez com que o BBB começasse dias antes, tanto para os visitantes do Shopping, quanto para o público do site do programa, que pôde acompanhar, de já, as peripécias de André, Bernardo, Kamilla, Kelly, Marcello e Samara. Diferente do que aconteceu nas edições anteriores, onde a Casa de Vidro era apenas uma exposição de micos amestrados, dessa vez, a morada cristalina guarda um programa paralelo, com intrigas, estratégias e pseudorromances próprios. Destaque para o brasiliense André Coelho e para a curitibana Kelly Baron, que estão apelando pro sex appeal, bem como para a paraensa Kamilla Salgado, “complicada e perfeitinha”, que já começou a balançar as estruturas da casa com algumas discussões de relação. Ela e o carioca bonitão Marcello Soares são candidatos fortíssimos a entrar no programa hoje à noite.

 

Quanto aos ex-BBBs, o critério de escolha foi o fato de terem “causado” nas edições em que estiveram. E nisso, tivemos a entrada de Anamara (BBB10), Eliéser (BBB10), Fani (BBB7), Natália (BBB8), além dos vencedores Kleber Bambam e Dhomini, respectivamente da primeira e da terceira edição do reality. Todos escolhas acertadas – a meu ver, nenhum pra ganhar, mas todos para movimentar a casa – à possível exceção de Eliéser, que me pareceu uma escolha desnecessária, podendo muito bem ter seu lugar ocupado, por exemplo, pelo Dr. Rogério do BBB5, ou qualquer outra pessoa que tivesse pisado na casa. Mas enfim.

 

Os participantes novatos que entraram direto na casa constituem um grupo interessante sem ser apelativo, uma combinação que se imaginava impossível, em termos de Big Brother Brasil, até então. Atendendo à opinião do público de que faltava conteúdo nos brothers, a produção optou por alguns candidatos que podem tirar seu carisma de um papo inteligente, como o pernambucano Aslan, o paulista Ivan e o gaúcho Nasser. O galã capixaba André também não parece ser um tipo vazio. Dentre as mulheres, o perfil “bonitas, mas com conteúdo” também é marcante, quando observamos a esteticista paranaense Andressa, bem como a advogada e a dançarina de flamenco mineiras, Fernanda e Marien. A única exceção a essa regra é a carioca Aline, uma versão real life da Penha, personagem de Taís Araújo em Cheias de Charme, que tem arrebanhado quase tantas gargalhadas quanto gritos de fúria com seu carioquês, suas gírias suburbanas e seu jeito estourado.

 

Pelo que se notou na prova do líder que se realizou ontem, a ideia dos primeiros dias do programa é opor veteranos e novatos – o que, aparentemente, não será difícil. Outro gol de Boninho. O programa começou pegando fogo, com discussões, boas provas e doses de carisma. Podemos estar diante na melhor edição do BBB dos últimos três anos – pelo menos.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

15 tons de Glee



Já é de conhecimento geral que eu sou fã de Glee. Desde que assisti ao primeiro episódio da série – na Globo, praticamente com zero conhecimento a respeito – me apaixonei por muitos fatores: o de se tratarem de atores completos, que cantam, dançam e interpretam; por ser umas série musical, gênero que sempre me agradou; e por ter uma trama que trata de uma série de dramas humanos, que vão da gagueira falsa ao homossexualismo – tudo isso intricado com elementos de folhetim: triângulos amorosos, viradas, vilanias, heroísmos, superações, etc.

 

Para os não iniciados na série, ela conta a história de Will Schueter (Matthew Morrison), um professor idealista que, ao começar a dar aulas na escola William McKinley, em Lima (Ohio), pretende remontar o Clube Glee, um coral que existiu nessa instituição no passado. Sem o apoio da direção, da maior parte do corpo docente – tendo especial repulsa por parte da treinadora de líderes de torcida Sue Silvester (Jane Lynch) –, nem mesmo da maioria dos alunos, o Glee passa a ser formado, inicialmente, por alunos excluídos na escola: a convencida Rachel (Lea Michele), a líder de torcida Quinn (Diana Agron), o popular Finn (Cory Montaith) – que termina por sofrer a exclusão dos demais colegas –, a descendente de orientais Tina (Jenna Ushkowitz) – que finge ser gaga para parecer estranha –, a negra Mercedes (Amber Riley), o bissexual Blaine (Darren Chris), o paraplégico Artie (Kevin McHale), e Kurt (Chris Colfer), que luta contra os próprios fantasmas para assumir sua homossexualidade. Mais adiante, o clube, que passa a se chamar New Directions, ganha a participação do tímido Mike (Harry Shum Jr.), do preconceituoso jogador de futebol americano Puck (Mark Salling), o disléxico Sam (Chord Overstreet), e, por fim, Brittany (Heather Morris) e Santana (Naya Rivera), líderes de torcida que entram no Glee para destruí-lo, a mando de Sue, mas terminam integrando-se de verdade a ele.

 

Pensando na série, resolvi desenvolver uma “sentimental list”, com minhas 15 performances musicais prediletas do programa (lembrando que é uma lista pessoal, e muitas das prediletas da grande maioria podem ter ficado de fora).

 

15. Lucky


 


Essa entra na lista por ser uma versão “fofa” do sucesso cantado por Jason Mraz e Colbie Caillat nas vozes de Sam e Quinn. Ele, um garoto vindo de um internato para rapazes, e por isso com muita dificuldade de relacionamento com as mulheres, e ela vinda dos traumas de amores mal resolvidos e de uma gravidez precoce. O clima “cute” impera no clipe, e marca a troca de olhares entre o casal.

 

14. Big Girls Don’t Cry


 


Significativa pro perfil – ora mandão, prepotente, ora doce – de Rachel, a readaptação de Fergie, onde Blaine e Kurt a acompanham se torna clássica. Ganha, considerando a personagem em questão, a mensagem de que grandes garotas, como ela, não choram, não devem se preocupar com a opinião alheia.

 

13. Don’t You Want Me


 


A música do Human League caiu bem num episódio que enfocou tanto os efeitos do alcoolismo quanto um clima de affair entre Rachel e Blaine. O dueto teve um ar de “pegação musical”, com destaque para o chambre verde de Rachel, e para Santana chorando bêbada. Surreal!

 

12. True Colors


 

Classicão de Cyndi Lauper, que depois ganharia versão na voz de Phill Collins, ficaria muito bonito na voz de Tina, em um episódio em que aparece sua relação com Artie. Não sei se sou eu que vejo coisas demais, mas interpreto a música como Tina cantando à diversidade, às “cores verdadeiras” que cada um guarda dentro de si – e nisso extrapolando a barreira da beleza física.

 

11. Total Eclipse of the Heart




Clipe bonito, protagonizado por Rachel, e que bem representa sua relação tensa com os outros membros do clube Glee. Nesse episódio, a personagem confessa sua “patologia por querer se tornar popular”, tentando usar Jesse, seu namorado, Finn e Puck como pares no clipe, perdendo o amor e a amizade dos três.

 

10. We Are Young




A música trás tom de união a um grupo tão plural. Percebe-se o outro lado da personalidade de Rachel – o convergente, que consegue trás luz e gás ao grupo. Talvez esteja aí a grande marca do clipe pra mim.

 

09. One of Us




O clipe é uma clara alusão ao original de Joan Ousborne. Remetendo à questão religiosa, a partir do misto-quente que Finn faz o favor de tostar, e onde aparece a imagem de Jesus Cristo, a série toca no espinhoso tema da diversidade religiosa. O episódio no qual o clipe está inserido remete à própria ideia de fé, relacionada com o afeto, resultante da difícil relação entre Kurt e seu pai, que sofre um ataque cardíaco e entra em coma. Destaque para os agudos de Mercedes. Míticos!

 

08. Bohemian Raphsody




Em geral, as músicas do Queen são uma grande covardia. Ainda mais quando é cantada por uma apresentação indefectível de Jesse no Vocal Adrenaline, assistido de longe por Rachel, sua namorada (ou ex-namorada?) – enquanto, num hospital, todos os outros acompanhavam Quinn entrar em trabalho de parto.

 

07. Somebody That I Used to Know


 
O sucesso de Gotye (que bem criticou a versão feita pelo Glee) foi cantada num episódio centrado na relação entre Blaine e seu irmão, o ator famoso Cooper Anderson (interpretado por Matt Bromer, em participação especial). Tendo sempre crescido à sombra do irmão mais velho, Blaine se ressente dele – principalmente quando aparece no McKinler, num local onde ele, Blaine, é uma das estrelas. A música e o clipe representam bem a relação dos dois

 

06. ABC




Um dos clipes mais pra cima de toda a série! Gosto muito quando Tina protagoniza a coisa, nesse caso ao lado de Kurt e Mike, que mostra aí o quanto é talentoso. Mas, na v verdade, não teve ninguém que não teve seu espaço nessa apresentação. O New Directions mostrando sua evolução na apresentação em uma competição, e fazendo homenagem aos Jackson é imperdível!

 

05. Don’t Stop Believin


 


O primeiro grande clipe do programa, onde Finn, Rachel, Artie, Tina, Mercedes e Kurt mostram, no apagar das luzes, ao Prof. Will que sim, queriam integrar o Glee. Enquanto isso, são observados por Puck, que ainda não havia tido coragem de assumir seu desejo de integrá-lo, bem como por Sue, Santana e outra líder de torcida. A música e sua apresentação positiva trazem a grande mensagem da série: “nunca deixe de acreditar!”.

 

04. I Have Nothing




Não consigo não me emocionar com Kurt. A meu ver, um dos personagens mais fortes da série, sem dúvida com a grande colaboração da interpretação competente e extremamente expressiva de Chris Colfer - o que só se confirma na apresentação da canção de Whitney Houston. Mas Kurt se oferece para cantar, e dá um show, como fica claro no vídeo (fora a troca de olhares com Blaine, que mostra a relação instável entre os dois).

 

03. I Want I Hold Your Hand




Se é que é possível escolher um, acho esse o solo mais emocionante do Kurt. É, sem dúvida, a música que canta para seu pai – acompanhado de belas imagens, em forma de flashback, mostrando a relação dos dois quando o garoto ainda era criança – e no olho do furacão da revelação de sua homossexualidade.

 

02. The Scientist




Como não chorar com esse clipe? Se a versão original, do Coldplay, é emocionante, o que dirá esta, contextualizada num episódio de final de ciclo em Glee, que termina com o rompimento de vários dos casais da série? O clima de “adeus” tomou conta de todos os personagens, o que combina com o tom de arrependimento presente na letra da música. Tocante é pouco!

 

01. Rumour Has It / Someone Like You




Minha apresentação predileta de todo o programa. Em geral, curto muito assistir essas coreografias femininas. O tom me lembrou muito os musicais americanos dos anos 60 e 70. O contexto é o da crise de identidade sexual de Santana, bem como da demonstração de suas fragilidades – o que a tira do lugar de vilã e a coloca em posição de protagonista na trama por vários episódios. Adele caiu bem, tanto em sua crise, quanto no tom de diva que está presente sempre nas apresentações de Mercedes.


Gostaram da lista? Comentem e compartilhem suas performances prediletas.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

As cores de Almodóvar


Para muitos, existe uma linha tênue que separa os bons e os maus estilos cinematográficos. Para outros, não existe linha nenhuma, e um "clássico cabeça" pode ser horrível, enquanto um filme feito com orçamento mínimo e atores não-profissionais pode ser excelente. Caminhando sobre essa linha tênue, sempre dividido entre cenários de cores fortes, cenas de sexo marcantes (quando não explícitas) e histórias melodramáticas, está Pedro Almodóvar, diretor de clássicos como A Lei do Desejo, Ata-me, De Salto Alto, Kika e Carne Trêmula.

 

Ao assistir Victoria Abril protagonizar uma cena de sexo dirigida pelo diretor, que conta com as suas características centrais - a explicitude, o cenário fortemente colorido e a trilha sonora espanhola - parei pra pensar o quanto elementos presentes na arte cinematográfica, e que pode significar vulgaridade ou mau gosto, ganha um contorno diferente nas mãos de quem bem sabe o melhor posicionamento da câmera, iluminação e expressões performáticas dos atores. Talvez seja a característica central de Almodóvar praticar o suposto kitsch como forma de pôr a prova os conceitos centrais de belo e de feio, de moral e de amoral, em termos de arte cinematográfica – e, quiçá, da arte de uma maneira geral.

 

Tendo sido responsável por lançar a Hollywood vários atores hoje de renome – do qual o maior exemplo é Antonio Banderas, que também se aproximar de seu estilo nas iniciativas como diretor, como no caso de O Caminho dos Ingleses –, além dos Oscares de melhor filme estrangeiro, com Tudo Sobre Minha Mãe (1999) e de melhor roteiro original com Fale com Ela (2002), Almodóvar é a prova da relatividade do gosto e dos preceitos mais fundamentais da arte. Mostra que não há padrões estéticos que a tudo contemplem, tampouco formatos que abarquem obras de complexidade marcante.

 

Há de ser relativo.