Hoje, comecei a trabalhar no sentido de dar um "chega pra lá" na melancolia. Ela não é uma companhia muito boa, pelo menos não o tempo todo. Essa relação entre felicidade e tristeza, numa perspectiva pós-moderna (não se sabe onde termina uma e onde começa outra, nem o porquê) não vem me fazendo muito bem. E depois, pra ser sincero, eu não tenho motivos pra ficar triste. É como diria o outro: para o alto e avante!
O caso é que terminou a Semana de História de Picos, e eu entendi que as perspectivas são boas. O Mestrado chegando próximo do meio, eu imerso em minhas fontes, ganhando inspiração pra escrever. Olhando para esse mesmo período, ano passado, nada disso parecia possível. Entrei num mundo que pra mim era profundamente distante. Amadureci uns 10 anos. Me enturmei, entre colegas, professores, graduandos, ex-mestrandos, muito mais rápido do que pensei. Fiz boas amizades para a vida toda. Estou participando dos eventos, recebendo elogios e críticas, sendo colocado em crise (crise vista no sentido oriental, ok?)... A vida vai bem!
Depois de ler Susan Hilton, de ouvir Chico Buarque, de passar alguns dias sem ver novelas (creia, isso me fez bem!), percebi que o que eu venho passando é um processo reflexivo, e refletir dói - mas é necessário. Reflexão: um giro do pensamento em torno de si mesmo. Foi isso. Ou melhor, é.
Voltar pra Teresina foi entender que eu, realmente, tenho um novo porto seguro. Caramba! Há um ano eu não me via longe de Piracuruca, do meu pequeno feudo. Eu tenho uma nova casa, e isso não significa apenas um novo teto. Uma nova casa, uma nova vida, um novo contexto. Observei o quanto mudei. Observei o quanto todos em meu redor mudaram.
Sinceramente, meu medo foi que tudo isso fosse efêmero. Vi que tudo tem acontecido tão rápido comigo, que temi que tudo isso também passassem muito rápido. Mas, realmente, é só um momento, e vai passar. O caso é que o futuro que vem aí tem tudo pra ser melhor. Talvez eu fui tomado por uma saudade excessiva do presente, de um presente que eu não queria que acabasse.
O caso é que eu apanho, e não aprendo. Não aprendo que as coisas realmente importantes não são efêmeras. Elas sobrevivem ao tempo. Vai chegar um dia em que olharei pra um 3x4, e não irei acreditar que foi há tanto tempo atrás. Mas sabe por que? Porque o presente daquele momento será bom o suficiente para se lembrar o passado apenas com uma saudade gostosa. E irei olhar para o hoje (que é o amanhã, hoje), e verei que muito do que havia de bom, ficou, e se tornou mais forte.
Chutei o balde. Chutei pra longe a ideia de abandono, a ideia de impotência. Me livrei dos meus demônios. Tudo bem, a única maneira, ainda, de imaginar a minha vida é vê-la como um musical dos anos 30. Mas tem coisas que precisam ficar, né?
Um até logo, bem mais solar!
sábado, 12 de novembro de 2011
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
Eu, outsider (ou como Susan Hilton tem ajudado a entender minha subjetividade)

Não, não uso longos cabelos passado gel. Também não fumo, não bebo, e não moro na periferia de uma grande cidade. Não sou greaser, tampouco soc (ou social, na linguagem dos jovens pobres dos Estados Unidos na década de 60). Mas sou outsider, e esse é um sentimento antigo, e difícil de resolver.
Outsiders são os jovens que, no romance de Susan E. Hilton, lutam por demarcar espaços na sociedade norte-americana dos anos 1960. As periferias são a casa dos greasers, como os garotos ricos chamam os jovens pobres, de longos cabelos, e hábitos para eles execráveis. Para os greasers, por sua vez, aqueles que deles se diferenciam são chamados de soc, ou socials - jovens ricos, com boa condição financeira e uma vida confortável. O livro de Hilton, "Vidas sem Rumo - The Outsiders", é contado na perspectiva do adolescente greaser Ponyboy. Com seus 14 anos, Pony já viu e viveu muito mais do que muitos garotos de sua idade. Vive, desde a morte dos pais, com os irmãos Darry e Sodapop, e tem numa turma, constituída pelos amigos Metido, Johnnycake, Steve e Dally. Todos eles com vidas sem rumo. Todos eles habitando espaços onde são malvistos e marginalizados. Pony e seus amigos preservam longos cabelos, amontoados de gel, como medalhões e orgulho de sua condição, e também como forma de diferenciar-se dos socs, seus inimigos. Ao longo da narrativa, no entanto, percebemos que greasers e socs são condições de existir juvenis bem mais complexas que a visão inicial de Ponyboy nos aponta. Todos crescem, todos amadurecem. Todos têm sua vida repletas de problemas.
Mas não é (só) disso que eu quero falar.
A leitura de Susan Hilton, para efeito de constituição de um plano de curso, me despertou uma sensação ao mesmo tempo estranha e melancólica sobre mim mesmo. Apesar de não ser greaser, tampouco soc, apesar de não viver envolvido em lutas de gangues ou qualquer coisa do gênero, me percebo como alguém carregado das subjetividades presentes nestes, principalmente em Ponyboy. Diferente dele, não perdi meus pais, e diferente dele, não tenho irmãos. Tal qual o personagem, porém, guardo poucos e bons amigos de verdade - é difícil, no trato, diferencer os colegas dos grandes amigos, mas essas coisas não se entendem, apenas se sentem e se subentendem. Tal qual Ponyboy, também, tenho acessos constantes de sentimento repentino de solidão.
Por vezes, me sinto um outsider, mesmo em ambientes não-hostis. Isso muda e se relativiza, de acordo com os ambientes e as pessoas, mas acontece. É comum achar que não sou o filho ideal, o amigo ideal, o aluno ou professor ideal, o namorado ideal. É normal que eu precise de doses extras de apoio, embora, contraditoriamente, viva expressando otimismo para com meus amigos (apenas os grandes amigos). É normal ser otimista e positivo para os outros, e um poço de introversões para consigo mesmo? É normal achar que o que se faz para com os outros não é sucifiente? Ou que eu mesmo não sou suficiente, na minha relação com as pessoas?
Tal qual Ponyboy, em sua relação com o irmão Darry, costumo ter estranhas sensações de que aqueles em volta de mim não gostam de mim de verdade. Isso para depois ter provas (às vezes pequenas e involuntárias) do contrário. Sentimentos como o amor, a amizade e tantos outros ganham expressões diferentes em diferentes pessoas, e acho que essa lição eu ainda não aprendi totalmente.
No trato com as mulheres, tal qual Ponyboy, frente à soc Cherry Valance, costumo achar que não sou o suficiente. "O que aquela soc, e ainda por cima bonita, poderia querer comigo?", pensa Pony, e penso eu também. Afastar-se por não se achar maduro o suficiente, preparado o suficiente, seria uma saída, Ponyboy? O que você fez? Você não teve chance: Cherry tinha um namorado soc e, além do mais, lutava para não amar Dally, um marginal que ela fingia odiar. O mundo é complicado, e as mulheres o são à décima potência.
O livro de Susan E. Hilton me fez e está me fazendo pensar em mim mesmo. Quer saber? Acho que isso deveria acontecer com todos. Todos deveriam ser outsiders na vida, pelo menos um dia, ou a vida toda. Mas pra sempre é muito tempo, não é? Pois bem. Sejamos outsiders para nós mesmos. Sejamos greasers, e vejamos outros tal qual nós. Vejamos os Sodapops e Jhonnycakes, em seu apoio e amizade expressas e incondicionais; mas vejamos também nas indiossincrasias dos Darries, formas diferentes (não menores) de estar ao lado. Tenhamos a quem apoiar, ser leal, de quem esperar e receber apoio. Olhemos para as Cherries, amemos as Cherries, vivamos o platonismo frente às socs que, aparentemente, são muita areia pro nosso caminhãozinho. Tudo isso de maneira rápida, demorada, ou tudo isso ao contrário.
E até a próxima.
domingo, 9 de outubro de 2011
Um quarto, em qualquer lugar

Para ler ao som de “Linten to Your Heart”, do Roxette
O dedo de Alberto percorria as costas de Dora, enquanto, lentamente, abria-se o fecho écler de seu vestido. Os olhos dela, fechados, curtiam a sutileza de cada toque. Parecia que se conheciam há anos. Mas aquele momento, há quinze minutos, quando se viram no sinal de trânsito, de onde saíram diretamente para um quarto, em qualquer lugar, sem dizer palavra um ao outro, realmente parecia ter acontecido a uma eternidade. Era sinestesicamente perfeito para Alberto sentia que Dora suspirava, ouvir o silêncio das batidas de seu coração. Ele sentia o cheiro em seu pescoço. Era adocicado, leve. Dora tinha algo de fugidio, de efêmero, que ele não conseguia explicar. Parecia feita de um material que, a qualquer momento, poderia se transformar em qualquer coisa intangível. A forma como girava o pescoço, ao sabor das mãos de Alberto, parecia um desejo profundo de se dissolver, de se transformar em luz líquida, de perecer em suas mãos.
Dora percorria com os olhos o espelho, onde via de frente seu corpo, nu, e pelo qual via Alberto, acariciando suas costas. Nada importava quando ele, ao mesmo tempo gentil e vigoroso, tocava seu dorso, e a trazia para junto do próprio corpo. O gozo que antecedia o ato era único, e mais profundo que qualquer penetração física. Dora sentia sua respiração quando ele se aproximava de sua orelha. Seria possível estar tão próximo de alguém quando ela dele, naquele momento? Existiria proximidade maior do que aquela, existiria desejo maior do que o que os envolvia? Existiria, naquele momento, outra Dora, que amava, profunda e intensamente, outro Alberto naquele momento? Não havia. Não havia nada. O mundo lá fora era uma massa multicolorida, sem forma, sem cor, sem cheiro. Tudo se resumia àquele quarto em qualquer lugar, àquela cama, àquele espelho, a ela e a Alberto.
Mary Fredriksson cantava, e cantava para eles. Aquela música fora feita para eles, e para mais ninguém. Mary os via em seu momento de amor, e cantava ali, naquele quarto. E cantaria a mesma música, com o mesmo fervor, enquanto durasse o amor. E duraria para sempre. Aquele momento seria para sempre. Para sempre, Mary cantaria a mesma música, no mesmo quarto em qualquer lugar, com a mesma intensidade. Há quinze minutos, aquela música nascera para Dora e Alberto. A guitarra chorava as lágrimas que Dora derramava quando abria, bebadamente, os olhos, e via Alberto acariciando-a, no espelho. Tocava as costas de Alberto, que tomava seu ombro com a boca. O dorso de Alberto e as costas de Dora pareciam ter se fundido, pele com pele, suor com suor, sangue com sangue. Dora apertava com as unhas as costas de Alberto, com a mesma força que a boca deste tomava seu ombro. Quanto tempo já havia se passado? Minutos? Dias? Horas? Anos? Não havia o tempo. Só havia o agora. Só existia aquele quarto, em qualquer lugar.
Só existia aquela música, só existia aquela cama e aquele espelho. Alberto roçava a barba no ombro de Dora, e sentia o êxtase espiritual de ouvi-la gemer. Tocava seu seio, e via no espelho sua mão apertando o mamilo de Dora. Sentia o seio de Dora crescer na sua mão; sentia Dora ofegar, presa ao seu corpo, sangrando suas costas com a unha. Sentia o movimento involuntário do corpo dela forçar o seu a mover-se também, na mesma sincronia. A guitarra chorava as lágrimas de Alberto, de dor e prazer, ao ter suas costas sangradas pelas unhas de Dora. Sentia a contração dos músculos do corpo de Dora, adaptando-se às formas do corpo de Alberto. Seus corpos já não tinham mais forma definida. Não sabiam mais onde terminava um e onde o outro começava. Na verdade, parecia que eles nasceram assim, unidos por pele, suor, sangue e lágrima da guitarra que chorava, em êxtase, sempre. Sempre foi assim. Sempre.
O suor de Dora percorria seu corpo. Uma gota de suor nascia no pescoço,
percorria seu seio, se espalhava pela mão de Alberto, que o possuía, descia pelo seu dorso, banhava sua coxa e suas partes íntimas. Enquanto Dora se movimentava, involuntariamente, a mão de Alberto, igualmente involuntária, percorria a coxa de Dora, molhada pelo suor. Subia lentamente, sentia os pêlos finos e invisíveis, viajava pelo baixo-ventre, sentia, enfim, a respiração profunda de Dora, ali, entregue, em suas mãos. A perna de Alberto tocava a perna de Dora, compartilhava com Dora aquela gota de suor, que era dos dois. O suor de Dora tinha o sabor adocicado de seu perfume, era leve, suave, como a maciez de sua pele. A boca de Alberto percorria a nuca de Dora, viajava pelo seu pescoço, passeava pela sua orelha e cabelo. As mãos de Alberto conheciam os pêlos invisíveis da coxa de Dora, já passeavam com familiaridade pelo seu baixo-ventre, já se tornavam um só nas palpitações de seu seio.
A unha de Dora sentia o calor do sangue das costas de Alberto. Suas costas se tornaram uma só com o peito de Alberto. Seu seio e sua coxa já não mais lhe pertenciam. Seus olhos percorriam o espelho, que presenciava aquela fusão de corpos, aquela maravilhosa fusão de seres, a magia do amor antes de se concretizar carnalmente, na mais bela de todas as concretudes. Não existia desejo maior que aquele que os envolvia, não existia êxtase maior do que aquele, não existia gozo maior do que aquele, que antecedia o ato. Não existia nada nem ninguém. Só existia aquele espelho, só existiam Dora e Alberto, só existia aquele quarto, em qualquer lugar.
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
Textículo mais ou menos pós-moderno
Pois é, Zeca Baleiro. Quiseram desmaterializar a matéria, mas ninguém se propôs a ligar a máquina de fazer cair neve em Teresina. Vida essa, né? E o calor tá fazendo urubu, que voava com uma asa e se abanava com a outra, ficar no chão, se abanando com as duas. O meu ar-condicionado é um rapaz muito responsável, que trabalha direitinho, embora eu não pague a ele direitos previstos na CLT. No dia que ele reclamar, mando procurar Karl Marx, num bar qualquer perto de uma universidade. Será que ele ainda anda por lá? Acho que deixou, depois de tanto ser achincalhado.
Rousseau também frequentava esses ambientes. Parou quando viu que o povo não fazia extensão em francês pra ler seus originais, e sim pra passar na seleção dos programas de pós-graduação stricto sensu. Deprimiu, claro. Foi chorar no colo de Eva Braun, que deixou Hitler cochilando, de costela com um judeu. Porque o amor é, essencialmente, adúltero, e até mesmo Santo Agostinho se renderia às paixões da Internet. Facebook, Facebook meu, existe timidez que sobreviva a uma foto, um teclado e mensagens instantâneas? Cara a cara, não, porque, depois que Deleuze falou dos corpos sem órgãos, tudo isso virou patrimônio material descartável.
Mas enfim, o mundo continua igual. Estudante de Direito ainda se acha melhor que o povo da licenciatura, e diz que doutor de verdade é ele. Como se o cocô que fizesse no banheiro da universidade fosse mais cheiroso... Mas um dia ele abre um escritório, passa na OAB depois de 30 anos, quando o computador, cansado, vai pôr seu nome lá a revelia, e vive feliz, ao lado de sua esposa (uma figura híbrida, uma entidade multimaterializada, que se divide entre um cachorro chiuaua, um micro-ondas e a televisão HD). E não esqueçam do óculos 3D: todo homem gosta de ver sua esposa bem paramentada.
O interior é que não é mais o que era. Não há um cavalo sequer sem tablet, e pergunte pra ele quem é Lady Gaga, pra você ver o que ele vai lhe dizer. Tem colégio público por aí onde “Alejandro”, “Coração Materno”, “Pedaginha do Inglês” e “Love Me Tender” substituem o Hino Nacional, cada um cantado um dia da semana. Sexta-feira tem festinha na escola, e as crianças, vestidas de roxo, com balões encardidos, se requebram ao som maneiríssimo de Joaquim Osório Duque Estrada.
Caramba, são horas. Meu relógio acaba de dar um tapa na minha cabeça, dizendo que estou com fome. Vou jantar algo líquido, comprado num supermercado na esquina do motel onde, nesse exato momento, transam uma vendedora ambulante e um guarda de trânsito. Ele a conheceu no prédio mais alto da cidade e, dono de uma mania particular, cochichou-lhe, pertinho da janela: “Defenestras?”. Ela entendeu errado, e tascou-lhe um beijo na boca, por pouco não arrancando sua roupa ali. Ele, claro, não se fez de rogado, embora a decepção tenha batido, num primeiro momento. Acontece.
Bom, vou-me já que já está pingando. Se a Coca-Cola esquentar, a culpa vai ser do fogão. Torquato, um abraço. A gente se fala.
Rousseau também frequentava esses ambientes. Parou quando viu que o povo não fazia extensão em francês pra ler seus originais, e sim pra passar na seleção dos programas de pós-graduação stricto sensu. Deprimiu, claro. Foi chorar no colo de Eva Braun, que deixou Hitler cochilando, de costela com um judeu. Porque o amor é, essencialmente, adúltero, e até mesmo Santo Agostinho se renderia às paixões da Internet. Facebook, Facebook meu, existe timidez que sobreviva a uma foto, um teclado e mensagens instantâneas? Cara a cara, não, porque, depois que Deleuze falou dos corpos sem órgãos, tudo isso virou patrimônio material descartável.
Mas enfim, o mundo continua igual. Estudante de Direito ainda se acha melhor que o povo da licenciatura, e diz que doutor de verdade é ele. Como se o cocô que fizesse no banheiro da universidade fosse mais cheiroso... Mas um dia ele abre um escritório, passa na OAB depois de 30 anos, quando o computador, cansado, vai pôr seu nome lá a revelia, e vive feliz, ao lado de sua esposa (uma figura híbrida, uma entidade multimaterializada, que se divide entre um cachorro chiuaua, um micro-ondas e a televisão HD). E não esqueçam do óculos 3D: todo homem gosta de ver sua esposa bem paramentada.
O interior é que não é mais o que era. Não há um cavalo sequer sem tablet, e pergunte pra ele quem é Lady Gaga, pra você ver o que ele vai lhe dizer. Tem colégio público por aí onde “Alejandro”, “Coração Materno”, “Pedaginha do Inglês” e “Love Me Tender” substituem o Hino Nacional, cada um cantado um dia da semana. Sexta-feira tem festinha na escola, e as crianças, vestidas de roxo, com balões encardidos, se requebram ao som maneiríssimo de Joaquim Osório Duque Estrada.
Caramba, são horas. Meu relógio acaba de dar um tapa na minha cabeça, dizendo que estou com fome. Vou jantar algo líquido, comprado num supermercado na esquina do motel onde, nesse exato momento, transam uma vendedora ambulante e um guarda de trânsito. Ele a conheceu no prédio mais alto da cidade e, dono de uma mania particular, cochichou-lhe, pertinho da janela: “Defenestras?”. Ela entendeu errado, e tascou-lhe um beijo na boca, por pouco não arrancando sua roupa ali. Ele, claro, não se fez de rogado, embora a decepção tenha batido, num primeiro momento. Acontece.
Bom, vou-me já que já está pingando. Se a Coca-Cola esquentar, a culpa vai ser do fogão. Torquato, um abraço. A gente se fala.
domingo, 2 de outubro de 2011
Hoje é dia de rock, bebê
Christiane Torloni, valeu pelo título.
Pois bem, hoje é dia de rock. Ou seria de pop? Ou axé? Ou dance music? Não sei. Shakira e Ivete Sangalo no palco do Rock in Rio, onde também tocaram, dançaram e cantaram Skank, Frejat, Cláudia Leitte, Elton John, Rihanna, Red Hot Chili Peppers, onde o Capital homenageou a Legião, onde Metalica gritou e Marcelo D2 fez rap, não ajudam muito a decifrar.
O mundo da música é eclético. Não há mais espaços para rótulos. Num mesmo palco podem tocar MC Qualquer Coisa, um cover de Luiz Gonzaga, outro de Michael Jackson, e uma banda hardcore que estica dois palmos de língua, sem que ninguém agrida ninguém, jogue garrafinhas cheias de água mineral ou coisa pior no palco. Cláudia Leitte e Rick Martin estão aí pra confirmar, e isso não quer dizer que eu gostei do clipe dos dois. Nem que desgostei. Muito pelo contrário.
Na verdade, ando pensando que essa Neotropicália marca a vida cultural do Brasil desde sempre, sobre formas e categorias diferentes. Num país onde Jesus Cristo se transforma sincreticamente em Oxalá tudo é possível. E a atitude de uma meia dúzia de metaleiros, ao criticar certas atrações do revival de nosso Woodstock em 2011, me lembra em muito a "Marcha Contra a Guitarra Elétrica", em 1967. Não, ninguém fez passeata na rua, mas nas redes sociais, o que é mais cômodo e contagiante.
Cássia Eller, Renato Russo, Cazuza, não sei o que diriam disso tudo. Aliás, ninguém sabe. E hoje, pouco importa. Na verdade, ando sem saco pra preciosismos, arcaísmos e outros "ismos" de um bando de conservadores andam pregando por aí, como certos pastores protestantes tentando atrair fiéis.
E antes que eu acarreta um monte de desafetos, é capaz de eu mudar de opinião sobre tudo isso no próximo segundo. Esse texto foi um "pum" momentâneo, um espamo que pode ser curto ou longo, ou não. Um abraço.
Pois bem, hoje é dia de rock. Ou seria de pop? Ou axé? Ou dance music? Não sei. Shakira e Ivete Sangalo no palco do Rock in Rio, onde também tocaram, dançaram e cantaram Skank, Frejat, Cláudia Leitte, Elton John, Rihanna, Red Hot Chili Peppers, onde o Capital homenageou a Legião, onde Metalica gritou e Marcelo D2 fez rap, não ajudam muito a decifrar.
O mundo da música é eclético. Não há mais espaços para rótulos. Num mesmo palco podem tocar MC Qualquer Coisa, um cover de Luiz Gonzaga, outro de Michael Jackson, e uma banda hardcore que estica dois palmos de língua, sem que ninguém agrida ninguém, jogue garrafinhas cheias de água mineral ou coisa pior no palco. Cláudia Leitte e Rick Martin estão aí pra confirmar, e isso não quer dizer que eu gostei do clipe dos dois. Nem que desgostei. Muito pelo contrário.
Na verdade, ando pensando que essa Neotropicália marca a vida cultural do Brasil desde sempre, sobre formas e categorias diferentes. Num país onde Jesus Cristo se transforma sincreticamente em Oxalá tudo é possível. E a atitude de uma meia dúzia de metaleiros, ao criticar certas atrações do revival de nosso Woodstock em 2011, me lembra em muito a "Marcha Contra a Guitarra Elétrica", em 1967. Não, ninguém fez passeata na rua, mas nas redes sociais, o que é mais cômodo e contagiante.
Cássia Eller, Renato Russo, Cazuza, não sei o que diriam disso tudo. Aliás, ninguém sabe. E hoje, pouco importa. Na verdade, ando sem saco pra preciosismos, arcaísmos e outros "ismos" de um bando de conservadores andam pregando por aí, como certos pastores protestantes tentando atrair fiéis.
E antes que eu acarreta um monte de desafetos, é capaz de eu mudar de opinião sobre tudo isso no próximo segundo. Esse texto foi um "pum" momentâneo, um espamo que pode ser curto ou longo, ou não. Um abraço.
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