
Tava aqui lendo Roberto Pompeu de Toledo na última edição da Veja (Tudo bem, é de direita, mas vou fazer o quê? É um dos últimos redutos de vida inteligente...), e constatando a quantas andam a campanha eleitoral de 2010. Não, antes que me perguntem, não ando muito animado com os resultados que apontam os rumos do Brasil daqui em diante. Diferente do Tiririca (Florentina, Florentina, lembra?), candidato a deputado federal por São Paulo, não compartilho da opinião de que "pior não fica". Ah, fica sim. Bem, algumas considerações minhas sobre o que se processa na atual campanha eleitoral:
- Pirotécnicas propagandas eleitorais - Propostas? Quem precisa disso quando se tem nas mãos dinheiro e tempo na propaganda suficiente para se fazer um show hollywoodiano de imagens em high definition? São imagens rápidas, que vão do Oiapoque ao Chuí, discursos belíssimos sobre crescimento, a grandiosidade de obras por todo o país, as estatais funcionando a pleno vapor. Muito bem! Se eu fosse um dinamarquês, ao ver essa propaganda, acreditaria que o Brasil está bem próximo de ser não só a maior economia, como também o maior IDH do mundo! Palmas pros marqueteiros! Aliás, tem muitos aí que eu, pobre aspirante a roteirista, adoraria como diretor de fotografia de uma novela minha...
- Candidatos exóticos - Onde quer que esteja, o saudoso Dr. Enéas Carneiro deve estar de alma lavada. Ele, que sempre foi chamado de esquisito (para dizer o mínimo), chegou a responder à altura um jornalista que o chamou de exótico, afirmando que "exótica é a senhora sua mãe". Hoje, Enéas seria considerado o que há de mais normal e sóbrio dentre aqueles que aspiram um lugar ao sol. Ou melhor, um lugar no legislativo. E mesmo no executivo. Eu nem vou citar os exemplos mais sórdidos, porque a urticária já está subindo pelos dedos...
- Musiquinhas infames - Ah, as boas e velhas musiquinhas. Alguns jingles não são dos mais novos (Ey-Ey-Eymael... inesquecível), outros são recauchutagem de músicas de nossa MPB (ou quem quer que considere o tecnobrega e o forró eletrônico como "popular brasileira"), mas alguns foram encomendados especial e exclusivamente para os atuais queridões da República. O mais tenso é ver aquela turma desdentada, as banhas saltando pela camiseta curtinha, ali, cantando junto.
- Promessas de campanha - Tá sem emprego? A gente arranja! Tá sem dente? A gente arranja também! E por aí vai. O céu é o limite para o que os candidatos prometem. A sua conta de luz, que você pediu pra ele pagar, então, é fichinha diante do que muitos estão prometendo por aí.
- Recauchutagem no visual - É incrível como essa turma de políticos, que a gente tá mais velho assim de ver todo dia, fica mais bonito, bem vestido e sorridente nesse período. Nem parece aquela criatura suada, amarrotada e mal-humorada do dia-a-dia. Ali tá todo mundo de dentão branco, olhar de pai que revê o filho depois de anos, a camisa mais bem passada, o blaser escolhido para a ocasião, etc. Enfim, um desfile de beleza, dentro do possível. Porque né? Tem coisas que são impossíveis de mudar...
Bom, depois dessa listagem, de tom cômico, vamos falar sério? Tempo de eleição é tempo de pensar. Não só naquilo que vai fazer bem pra você, mas naquilo que é o melhor para a sua população. Não só naquele candidato que lhe favoreceu, dessa ou daquela forma, mas no que ele fez para favorecer a maioria. Melhores hospitais? Melhores escolas? Melhores estradas? Nisso, nisso, nisso. Eleição é tempo de analisar propostas, biografias e posturas administrativas. É tempo de pegar o currículo dessa galera que pede nosso voto todo dia na TV e vê-lo sem paixões. Ficha limpa, experiência e obras concretas que sirvam de provas daquilo que seu candidato fez são as melhores opções. Discursos extremistas e radicalismo ideológico também não fazem bem nesse período, afinal, no mundo real, o melhor caminho é sempre o do meio.
Pense nisso. E vote consciente!