terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Erotismo ou pornografia: os clássicos da história do cinema


"Menino, pára de ficar olhando essa pornografia!" Uma frase recorrentemente dita a muitos jovens que, do início da adolescência até (acredite) alguns anos mais tarde, na vida adulta. Poucos sabem, porém, que existe uma diferença básica - e essencial - entre pornografia e erotismo. Enquanto o primeiro tem como elemento exclusivo a prática do sexo - na maioria das vezes, mostrado de forma vulgar e explícita - o segundo, embora tenha o sexo como um de seus elementos principais, coloca-o em um contexto de romance, desejo, sedução. O erotismo, diferente da pornografia, foge da vulgaridade, e procura mostrar o sexo como algo bonito, plástico, poético em muitos casos.

Na história do cinema, muitos filmes e cenas ficaram famosas por seu conteúdo erótico. Os clássicos contemplam desde alguns de qualidade duvidosa, como a sequência francesa Emanuelle (1969-2004), cuja lasciva personagem-título foi eternizada na pele de Sylvia Kristel, até uma consagradíssima obra-cabeça do italiano Bernardo Bertolucci, O Último Tango em Paris (1972), onde Marlon Brando e Maria Schneider protagonizaram a famosa cena da manteiga.

No cinema brasileiro, as década de 60/70/80 foram famosas por driblar a censura e, no cinema experimental, testar inovações. E o erotismo não fico de fora. Na adaptação para o cinema da peça teatral de Nelson Rodrigues, Toda Nudez Será Castigada (1973), o diretor Arnaldo Jabour desnudou (literalmente) a hipocrisia da família brasileira, inclusive no referente ao sexo. O nu de Vera Fischer encantou o Brasil em filmes como Anjo Loiro(1973). Obviamente, nosso cinema também contou com filmes de conteúdo erótico (não pornográfico) e de gosto duvidoso, como Amor Estranho Amor (1982), também protagonizado por Vera, e com a participação nada comportada de Xuxa Meneghel, futuramente consagrada "rainha dos baixinhos".


O século XXI relativizou o conceito de erotismo e a classificação indicativa, claro, adaptou-se ao mundo contemporâneo, escandalizando-se bem menos com tais tipos de cenas e filmes. É necessário, porém, relembrar que tal conteúdo é sujeito à atenção dos veículos de comunicação transmissores, responsabilizados por possíveis abusos, como cenas de pedofilia. De mais a mais, a busca pela beleza na arte cinematográfica inclui vários elementos. E o sexo, indiscutivelmente, é um deles.

Um comentário:

  1. Realmente, há uma grande diferença no que diz respeito ao conteúdo. A pornografia não apresenta história, ou uma story-line: apenas sexo e mais sexo. As falas são os gemidos dos personagens, que aliás, nem sequer existem. Agora o erotismo é diferente, tem uma história, um guião.

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